Arena Fonte Nova cobre marca de bet após proibição de Lula

    Mudança foi identificada nesta quarta-feira (30), dias após medida editada pelo governo federal

    Foto: Reprodução / Redes Sociais

    Os primeiros efeitos da proibição das bets já podem ser vistos na Arena Fonte Nova, em Salvador. Nesta quarta-feira (30), a marca da Casa de Apostas apareceu coberta na estrutura do estádio, que mantinha um acordo de naming rights com a empresa desde 2024.

    A alteração acontece cinco dias depois da publicação da Medida Provisória nº 1.394, editada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que proibiu a exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa no Brasil.

    Antes da mudança ser identificada, a assessoria da Arena Fonte Nova já havia informado ao bahia.ba que acompanhava as determinações da nova legislação e que qualquer decisão envolvendo a parceria seria tomada “em conformidade com a legislação”.

    A adequação também chegou aos canais digitais. O estádio, que desde o início de 2024 utilizava oficialmente o nome Casa de Apostas Arena Fonte Nova, voltou a se apresentar apenas como Arena Fonte Nova em seus perfis nas redes sociais.

    Contrato previa R$ 52 milhões em quatro anos

    A parceria foi anunciada em dezembro de 2023 e entrou em vigor no ano seguinte. O acordo previa o pagamento de R$ 13 milhões por temporada durante quatro anos, totalizando R$ 52 milhões ao longo do vínculo.

    Além de associar o nome da empresa ao estádio, o pacote comercial contemplava propriedades relacionadas a partidas de futebol e outros eventos realizados na Arena Fonte Nova.

    A Casa de Apostas sucedeu a Itaipava como detentora dos naming rights. A marca do Grupo Petrópolis esteve associada ao nome do estádio durante dez anos, até dezembro de 2023. Mesmo após o encerramento daquela propriedade comercial, outras parcerias com o grupo foram mantidas, incluindo fornecimento de bebidas e presença em bares e camarotes.

    Proibição determina retirada de publicidade

    A Medida Provisória publicada pelo governo federal na última sexta-feira (25) alcança tanto a operação das plataformas quanto a publicidade e os patrocínios relacionados ao setor.

    O texto estabeleceu prazo de dez dias a partir da publicação para a retirada de materiais publicitários e sinais de patrocínio ligados às empresas de apostas em espaços físicos e digitais. Já as autorizações para exploração das bets serão extintas após o período de transição previsto na medida.

    A decisão provocou repercussão imediata no futebol brasileiro, que passou a ter nas empresas de apostas uma importante fonte de receitas comerciais nos últimos anos. Clubes com contratos vigentes começaram a discutir os prejuízos provocados pela proibição, enquanto Flamengo e Palmeiras já se movimentaram para participar de ações no Supremo Tribunal Federal (STF) que contestam a medida.