O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender a proibição das bets no Brasil e rebateu as críticas de dirigentes sobre os prejuízos que a medida pode provocar no futebol. Ao comentar a reação dos clubes, o petista citou títulos conquistados pela Seleção Brasileira e por equipes do país antes da expansão das casas de apostas para argumentar que o esporte não depende do setor.
A declaração foi dada na quarta-feira (30), durante entrevista ao canal Cosmo Política. Lula afirmou que a decisão do governo será mantida e classificou como falsa a ideia de que a retirada das empresas de apostas possa comprometer o futebol brasileiro.
“Não tenho dúvidas: nós vamos acabar com as bets. Não importa que alguém diga que vai acabar com o futebol. É mentira! Mentira. O Brasil foi campeão do mundo cinco vezes sem as bets e, depois das bets, não foi mais nenhuma”, afirmou.
“O Flamengo foi campeão mundial sem as bets, o Internacional foi campeão sem as bets, o Grêmio foi campeão sem as bets, o São Paulo foi três vezes campeão do mundo sem as bets e o Corinthians foi campeão sem as bets. Depois das bets, ninguém ganhou mais nada! Então, é lorota”, argumentou.
“As bets significam 7,2% do orçamento dos times de futebol”, disse o presidente.
A fala ocorre em meio à reação de clubes brasileiros à Medida Provisória editada pelo governo federal em 25 de setembro. O texto proibiu a exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa no país, atingindo também os contratos de patrocínio mantidos pelas equipes com empresas do setor.
Durante a entrevista, Lula relacionou a decisão aos impactos das apostas sobre a população e direcionou críticas aos dirigentes que defendem a manutenção das receitas provenientes das bets.
“O que não dá é para os presidentes dos clubes quererem tirar dinheiro dos pobres. O torcedor já gasta tanto dinheiro com seu time, não dá para extorquir o pobre. Neste país que eu presido, isso não vai acontecer”, destacou.

Clubes reagem à proibição
A decisão do governo provocou uma mobilização no futebol brasileiro porque as empresas de apostas se tornaram uma das principais fontes de patrocínio dos clubes nos últimos anos. Além dos espaços nas camisas, o setor passou a financiar propriedades comerciais em estádios, competições e diferentes modalidades esportivas.
Flamengo e Palmeiras já decidiram levar a discussão ao Supremo Tribunal Federal (STF). Os clubes buscam participar como amicus curiae de ações que contestam a medida e pedem a suspensão de seus efeitos.
No caso do Flamengo, a diretoria estima que a mudança possa representar uma perda de até R$ 430 milhões para o clube e calcula impacto de aproximadamente R$ 2,5 bilhões sobre o futebol brasileiro.
Entre os argumentos apresentados estão os compromissos financeiros assumidos com base em receitas futuras e a manutenção de modalidades que não conseguem custear integralmente suas próprias atividades.
A proibição também começou a produzir mudanças fora dos clubes. Em Salvador, a Arena Fonte Nova cobriu a marca da Casa de Apostas em sua estrutura e retirou o nome da empresa de seus canais digitais. O estádio mantinha desde 2024 um contrato de naming rights com a companhia.
O governo chegou a programar uma reunião com representantes dos clubes para discutir os impactos da medida, mas o encontro, inicialmente previsto para terça-feira (29), foi adiado. Uma nova data ainda será definida.

