O candidato ao Governo da Bahia pela federação PSOL/Rede, Ronaldo Mansur, fez um balanço da campanha no primeiro turno e projetou os próximos passos do seu grupo político. Em conversa exclusiva com a reportagem do bahia.ba nesta segunda-feira (5), o psolista analisou a eleição estadual, que confirmou o favoritismo do atual governador Jerônimo Rodrigues (PT), e criticou as condições enfrentadas por partidos de esquerda que não controlam a máquina pública.
O ex-candidato apontou a escassez de recursos financeiros e a falta de espaço nos grandes veículos de comunicação como fatores determinantes para o resultado nas urnas.
“Infelizmente a eleição se tornou uma penúria para partidos de esquerda que não estão na máquina. Um conjunto de situações que jogam contra e conspiram contra, e as informações tendenciosas de grandes meios que jogam de acordo com os interesses e disputas comerciais”, declarou.
Falta de recursos e exclusão de debates
Mansur citou a distribuição das finanças e a visibilidade na imprensa como os principais obstáculos da sua candidatura ao longo do pleito. Segundo ele, a limitação orçamentária inviabilizou uma competição em igualdade de condições no estado.
“Dos recursos que eu recebi, 20% deslocamos para ajudar a pagar TV, rádio, jurídico, contabilidade, mais 30% para a Vice, e o recurso que sobra é pouco mais de 200 mil para fazer campanha para o Estado inteiro. Uma campanha ousada, que ousou encarar os que foram colocados antes mesmo de começar a eleição como preferidos, invisibilizando os demais. O nosso nome só veio a aparecer nas pesquisas 9 meses depois de lançado”, desabafou.
O candidato também destacou que a ausência do PSOL no último debate televisivo representou um prejuízo severo à visibilidade do projeto: “A não participação no último debate de TV nos trouxe um prejuízo grande, afinal de contas, eram milhões de pessoas que iriam assistir.”
Desempenho da federação e foco em Lula no 2º turno
Apesar das dificuldades enfrentadas na disputa pelo Executivo, Mansur avaliou o desempenho da federação PSOL/Rede para a Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) como positivo em relação a outras siglas do mesmo campo político, destacando os “quase 200 mil votos para Estadual”, dos quais o partido conquistou uma vaga, com Kleber Rosa. “Se pegarmos como referência o PSB, que não fez nenhum, o PSOL se saiu bem, mas para nós, poderíamos muito mais”, avaliou.
Com o encerramento do primeiro turno na Bahia, o líder do PSOL afirmou que os rumos locais serão definidos internamente, mas reforçou que a prioridade imediata do grupo é a atuação na campanha presidencial. No cenário nacional, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terminou o primeiro turno atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL).
“O futuro é dialogado coletivamente entre nós e, neste momento, a prioridade é irmos às ruas para eleger Lula no segundo turno”, concluiu Mansur.

