A vereadora de Salvador e segunda suplente do senador eleito Jaques Wagner (PT), Aladilce Souza (PCdoB), afirmou que pretende atuar no Senado ao lado do petista em pautas relacionadas aos direitos das mulheres, ao combate à violência de gênero e às condições de trabalho.
Em entrevista ao bahia.ba, Aladilce colocou o enfrentamento à violência contra a mulher entre as prioridades de sua atuação. Para ela, as políticas públicas precisam envolver União, estados e municípios, com mecanismos permanentes de prevenção e combate aos crimes.
Aladilce defende combate ao feminicídio
“Nós precisamos afirmar uma política de enfrentamento à violência contra a mulher, uma política séria. Para além do que já foi estabelecido, nós precisamos amarrar isso até os municípios”, afirmou a parlamentar.
A vereadora também defendeu a criação de comitês interinstitucionais permanentes, com orçamento próprio, para coordenar ações contra a violência de gênero. Ela classificou o avanço dos feminicídios no país como uma “epidemia”.
Autonomia financeira
Na avaliação de Aladilce, o combate à violência doméstica também passa pela ampliação da autonomia financeira das mulheres. Segundo ela, a falta de renda e de alternativas para sustentar a si próprias e os dependentes pode dificultar a saída de relações marcadas pela violência.
A suplente também pretende defender no Senado o fim da escala 6×1, modelo em que o trabalhador atua por seis dias consecutivos e tem um dia de descanso. Para Aladilce, a mudança teria impacto especialmente relevante para as mulheres devido à divisão desigual das tarefas domésticas.
“O fim da escala 6×1 tem um impacto na vida das mulheres maior do que na população masculina. As mulheres ficam mais penalizadas porque acumulam a carga doméstica. Reduzindo essa jornada de trabalho, teremos a possibilidade de que as mulheres se liberem mais para outras atividades de cultura e formação, garantindo uma vida mais digna”, avaliou.
Esquerda precisa rever estratégia
Aladilce também comentou o cenário político após as eleições e demonstrou preocupação com o crescimento da extrema direita no Congresso Nacional e com o fortalecimento do PL.
Para a vereadora, a esquerda terá de adaptar sua comunicação às novas formas de mobilização política, sobretudo entre os eleitores mais jovens. Ela citou o peso das redes sociais, especialmente do TikTok, nas campanhas eleitorais.
“Nós vamos precisar nos reinventar. O mundo mudou e a gente precisa mudar a forma de fazer política e chamar os jovens para a realidade. A campanha estava correndo nas redes sociais, no TikTok, e isso tem um impacto que precisamos saber lidar”, concluiu.

