Empresa australiana compra fábrica em Feira por um real; entenda

    Empresa feirense entrou em recuperação judicial em fevereiro deste ano e a australiana será responsável por reestruturá-la financeiramente e estruturalmente

    A Sais Nordeste, em Feira de Santana (Foto: reprodução/redes sociais @saisnordestee)

    A BCM (Brazilian Critical Minerals) – empresa de mineração australiana focada na exploração e metais e terras raras no Brasil – fechou um acordo para adquirir 90% de uma fábrica de sulfato de magnésio Sais Nordeste Indústria e Comércio, em Feira de Santana.

    Pelo acordo, a BCM irá adquirir participação na fábrica pelo valor nominal de R$ 1. A negociação envolve reestruturação financeira e operacional da Sais Nordeste e a negociação de passivos históricos, envolvendo dívidas que totalizam cerca de R$ 15,3 milhões, incluindo obrigações tributárias federais e estaduais.

    De acordo com a CNN, o objetivo é diminuir a dependência da cadeia de terras raras chinesa.

    Sais nordeste suspendeu operações em fevereiro deste ano

    A fábrica Sais Nordeste encerrou as operações em fevereiro deste ano, quando entrou em recuperação judicial por não cumprir com as obrigações financeiras. Com a compra, a BCM – por meio da subsidiária brasileira Mineração BBX do Brasil – passará a financiar e acompanhar a recuperação financeira e operacional da fábrica.

    A transferência oficial dos 90% ainda depende do cumprimento de condições previstas no acordo e aprovações judiciais, regulatórias e societárias relacionadas ao processo de recuperação judicial. Os atuais acionistas permanecerão com os 10% restantes da companhia.

    Empresa australiana fechou outros acordos na Bahia

    Além da compra da fábrica em Feira de Santana, a empresa australiana também fechou acordo com outras indústrias na Bahia para garantir os principais insumos usados na fabricação do sulfato de magnésio: óxido de magnésio e ácido sulfúrico.

    O ácido sulfúrico poderá ser fornecido pela Unigel a partir do polo industrial de Camaçari. Já o óxido de magnésio deverá vir da indústria de magnesita concentrada na região de Brumado.

    O objetivo é diminuir a dependência da China no quesito terras raras

    Segundo a BCM, via CNN, o objetivo da empresa australiana é diminuir a dependência da cadeia de terras raras chinesa devido a uma decisão do governo da China de endurecer as restrições.

    De acordo com a empresa, as leis de chinesas de exportação passaram a atingir não apenas produtos finais, mas também equipamentos, consumíveis e capacidades técnicas necessárias ao desenvolvimento de novos projetos.

    Atualmente, a China é o país com maior reserva de terras raras, com aproximadamente 44 milhões de toneladas. Apesar de a China ser a líder isolada, o Brasil é o segundo do ranking, com reserva de 21 milhões de toneladas. Apesar da grande reserva, o país ainda tem uma produção baixa desses minerais.