Trump sanciona Tribunal Penal Internacional e provoca reação global

    Medida anunciada após Navi Pillay receber o Nobel da Paz gera críticas de representantes da Justiça internacional e de aliados europeus

    Foto: Divulgação / White House

    O governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (9) sanções contra o Tribunal Penal Internacional (TPI). A decisão foi divulgada poucas horas depois de a jurista sul-africana Navi Pillay receber o Prêmio Nobel da Paz de 2026, que é desejado por Trump.

    As medidas podem restringir o acesso da corte a serviços financeiros e tecnológicos dos Estados Unidos. A decisão provocou críticas de representantes do TPI e de autoridades europeias. A vice-promotora do tribunal, Nazhat Shameem Khan, condenou a medida, enquanto a própria instituição afirmou que as sanções representam uma tentativa de interferir em suas atividades.

    Nobel da Paz coloca Navi Pillay no centro do debate

    A premiação de Navi Pillay ocorreu horas antes do anúncio das sanções. A jurista recebeu o Nobel por sua atuação em defesa do direito internacional e da responsabilização por crimes de guerra, a humanidade e o genocídio. Durante discurso, ela alfinetou Trump ao dizer que “se fosse mais aplaudida, talvez dividiria o prêmio com Trump”.

    Que também foi uma referência à vencedora de 2025, a venezuelana María Corina Machado, que entregou a medalha a Trump em janeiro por ser aliada do presidente. 

    Governo Trump justifica medida pela soberania dos EUA

    Em comunicado, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou: “O presidente Trump nunca permitirá que o Tribunal Penal Internacional julgue norte-americanos”. Washington questiona a jurisdição do TPI sobre cidadãos dos Estados Unidos e contesta investigações envolvendo americanos e aliados, incluindo autoridades israelenses.

    As sanções também podem atingir empresas que prestam serviços à corte, ampliando os efeitos da decisão para além dos funcionários diretamente visados.