O mau tempo e as condições da região estão entre os fatores analisados pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) na queda do helicóptero que matou o cantor Rick Sollo. O relatório preliminar também aponta um histórico de falhas na aeronave, mas ainda investiga se os problemas técnicos tiveram influência direta no acidente.
Segundo o Cenipa, o helicóptero voava a uma altitude de aproximadamente 1.686 metros quando colidiu contra uma área de mata na região do Morro Convento dos Padres, no Parque Nacional de São Joaquim, em Urubici, Santa Catarina. No momento do acidente, uma frente fria atingia a região, com chuva forte, nuvens baixas, nevoeiro intenso e baixa visibilidade.
O órgão classificou a ocorrência como CFIT, sigla em inglês para Controlled Flight Into Terrain, ou Voo Controlado Contra o Terreno. O termo é utilizado quando uma aeronave, ainda sob controle da tripulação, colide involuntariamente contra o relevo.
Cenipa analisa condições climáticas e dados da aeronave
Entre os elementos utilizados na investigação estão o plano de voo, informações meteorológicas do momento do acidente, registros de radares, imagens de câmeras de segurança e vídeos gravados por moradores da região.
Os técnicos também analisaram equipamentos eletrônicos do helicóptero, como o computador de bordo, unidades de controle dos motores e sistemas de navegação. Testemunhas e pessoas envolvidas na operação também foram ouvidas para ajudar a reconstruir a sequência dos acontecimentos.
Um dos pontos que chamou a atenção dos investigadores foi o gravador de voz da cabine (CVR). O equipamento não armazenava conversas ou sons referentes ao dia do acidente. Segundo o relatório preliminar, foram encontradas apenas gravações antigas relacionadas a procedimentos de manutenção da aeronave.
Helicóptero tinha histórico de falhas
O Cenipa identificou registros de falhas intermitentes nos geradores elétricos, principalmente em condições de umidade e chuva. Também havia relatos de problemas no piloto automático, que poderia se desligar sozinho durante o voo, além de vibrações no rotor principal.
Em março de 2026, a aeronave já havia passado por uma situação de emergência e precisou realizar um pouso não programado no município de Ibiaçá, no Rio Grande do Sul, após apresentar forte vibração durante o voo. O episódio chegou a ser registrado por moradores da região e repercutiu na imprensa local.
Apesar do histórico, o Cenipa ainda analisa se essas falhas tiveram relação com a queda. Até o momento, o relatório preliminar não estabelece uma causa definitiva para o acidente.
Experiência dos pilotos também é investigada
Outro ponto considerado pelos investigadores é a experiência da tripulação. O piloto Antônio Roberto Nóbrega de Araújo acumulava mais de 11,3 mil horas de voo em helicópteros e possuía habilitação válida para operações por instrumentos. Já o copiloto Leopoldo Barros Teixeira tinha licença de piloto comercial e somava 137 horas totais de voo, mas não possuía habilitação para voo por instrumentos.
Segundo o relatório, aquela teria sido a primeira vez em que Leopoldo operava a aeronave envolvida no acidente. Ele teria sido contratado exclusivamente para aquele dia, em substituição ao copiloto que normalmente acompanhava os voos.
Além de Rick Sollo, morreram no acidente o empresário Bruno Avelar, o videomaker Paulo Soares, o piloto Antônio Roberto Nóbrega de Araújo e o copiloto Leopoldo Barros Teixeira.
As investigações continuam. O relatório final do Cenipa deverá analisar em conjunto as condições meteorológicas, os aspectos técnicos da aeronave, a operação do voo e a atuação da tripulação para determinar os fatores que contribuíram para o acidente.

