Flávio Bolsonaro ficará sem cargo público após 24 anos

    Após quatro mandatos como deputado estadual e uma passagem pelo Senado, Flávio Bolsonaro ficará fora de cargos eletivos a partir de 2027

    Foto: Reprodução/ TV Globo

    Após a derrota na eleição presidencial de 2026, Flávio Bolsonaro ficará sem um mandato pela primeira vez em 24 anos. Eleito senador desde 2019, ele encerra o mandato em dezembro deste ano e, a partir de 2027, ficará sem cargo público, após uma trajetória política iniciada em 2003, quando assumiu uma cadeira na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), aos 21 anos.

    Filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Flávio entrou na política com o apoio do pai, que à época exercia mandato de deputado federal. Ele permaneceu na Alerj por quatro legislaturas, antes de ser eleito para o Senado em 2018, ano em que Jair Bolsonaro venceu a eleição presidencial. Em 2016, tentou chegar à Prefeitura do Rio de Janeiro, mas terminou a disputa em quarto lugar.

    A derrota para o Palácio do Planalto também marcou um resultado incomum na história eleitoral brasileira: Flávio foi o primeiro candidato à Presidência a terminar o primeiro turno na liderança e perder a eleição desde a redemocratização.

    Investigações seguem no Supremo

    Fora do Congresso, Flávio continuará no radar da Justiça. Ele é alvo de investigações que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF), incluindo um inquérito sobre possíveis repasses do banqueiro Daniel Vorcaro para financiar Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro.

    A Polícia Federal apura transferências que somariam cerca de R$ 64 milhões. O caso é relatado pelo ministro André Mendonça. A investigação busca esclarecer a origem e a finalidade dos recursos supostamente destinados à produção.

    Outro inquérito, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, investiga suspeitas relacionadas aos negócios do advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio. A apuração envolve um suposto esquema bilionário de lavagem de dinheiro, ocultação de bens e evasão de divisas. 

    A PF suspeita de uma possível sociedade não declarada entre o senador e o advogado, além de investigar se Flávio teria sido usuário de uma conta bancária vinculada a uma das empresas de Tomaz. Os dois negam a existência de sociedade entre eles.

    A saída do Senado implica a perda da imunidade parlamentar, mas não encerra automaticamente as investigações. Desde março de 2025, o STF mantém o entendimento de que o foro por prerrogativa de função pode continuar valendo para crimes supostamente cometidos durante o exercício do cargo e relacionados às funções desempenhadas, mesmo depois que a autoridade deixa o mandato.