Anitta celebra vitória de Lula, mas avisa: ‘Não é fã-clube’

    Cantora pediu cobrança ao presidente reeleito e defendeu união após disputa eleitoral

    Foto: reprodução / redes sociais

    A cantora Anitta publicou uma série de stories na manhã desta segunda-feira (26) para comentar o resultado das eleições presidenciais. A artista abriu o desabafo dizendo sentir “muito alívio” após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas ponderou que a divisão política do país ainda lhe causa preocupação.

    “Bom dia com uma sensação de alívio. Muito alívio. Acho que finalmente o Brasil inteiro vai respirar, né? Porque estava todo mundo muito tenso. Muita briga, muita confusão”, iniciou.

    Segundo Anitta, parte da comemoração entre os eleitores de Lula está ligada ao receio sobre o que poderia acontecer caso Flávio Bolsonaro (PL) vencesse a disputa. Apesar de celebrar o resultado, a cantora afirmou que não considera que o país tenha saído completamente vencedor diante da forte polarização entre os brasileiros.

    “Eu fiquei feliz, celebrei, mas no fundo fica uma tristeza por a gente ver a nossa população, o nosso país, que é tão potente, estar tão rompido, partido ao meio, com a sociedade se odiando tanto. Espero que isso melhore nos próximos meses, nos próximos anos”, declarou.

    Anitta alerta para força do Congresso

    Durante o desabafo, Anitta também lembrou aos seguidores que a eleição presidencial não concentra todo o poder político do país. Segundo a cantora, o desempenho de candidatos alinhados ao bolsonarismo nas eleições legislativas fará com que Lula enfrente oposição no Congresso durante o novo mandato.

    “Gente, o Presidente não resolve tudo, né? Tem governadores, tem senadores, deputados, vereadores”, afirmou.

    Na avaliação da artista, esse equilíbrio de forças faz parte do funcionamento democrático e também limita a atuação de qualquer presidente. “Agora, em contrapartida, a gente tem um Presidente que vai ter um pouco menos de poder de ação, porque tem uma bancada de pessoas que não o querem, que não são apoiadores do Lula. E faz parte da política”, disse.

    Anitta também destacou que, na visão dela, a mobilização popular teve papel decisivo no resultado das urnas.

    “Quem elegeu o Lula foi o povo, o povo indo para as ruas, as pessoas se posicionando”, declarou.

    “Não é porque votou no Lula que virou fã-clube”, diz Anitta

    A cantora aproveitou o momento para pedir que os mesmos eleitores que cobraram posicionamentos de artistas durante a campanha mantenham a pressão política ao longo dos próximos quatro anos. Segundo ela, apoiar Lula nas urnas não significa concordar automaticamente com todas as decisões tomadas pelo petista.

    “Não é porque a gente votou no Lula que agora tudo que ele faz a gente é do fã-clube do Lula e tudo que ele fizer a gente vai falar: ‘não pode falar mal’. Não”, afirmou.

    Anitta defendeu que os eleitores acompanhem projetos, leis e decisões do novo governo, além da atuação de governadores, senadores e deputados. “Agora que a votação acabou, chega de cobrar os artistas e vamos cobrar os políticos. […] Eles têm que trabalhar por nós e a gente tem que cobrá-los”, disse.

    Cantora cobra mulheres e pessoas negras em cargos de poder

    Anitta também citou as futuras indicações do presidente para cargos de destaque e pediu mais diversidade nas escolhas. Ao mencionar o Supremo Tribunal Federal (STF), a cantora disse esperar que Lula considere mulheres e pessoas negras entre os nomes escolhidos durante o mandato.

    “Na hora de indicar pessoas para o STF, eu espero que ele se lembre de todo o apoio que recebeu do povo, dos artistas, das mulheres. Que indique mulheres […] pessoas pretas, porque tem milhares de pessoas competentes para o cargo”, afirmou.

    A artista reforçou que o apoio eleitoral não deve impedir críticas ao governo. “A gente é cidadão e a gente tem o direito de cobrar, de pedir, de ir para as ruas para pedir, mesmo que esse pedido seja para a pessoa em quem a gente votou, porque isso é a política”, declarou.

    Anitta pede fim da “briga de torcida”

    Em outro momento, Anitta afirmou que não deseja o fracasso de políticos nos quais não votou e defendeu que os eleitores adotem a mesma postura após o fim da campanha. Segundo ela, mesmo em um cenário no qual Flávio Bolsonaro tivesse vencido, torceria para que suas preocupações estivessem erradas e para que o país tivesse bons resultados.

    “Aqui não é jogo de futebol, não é quem ganhou ou quem perdeu. Todo mundo tem que ganhar, todo mundo tem que se beneficiar. Ninguém aqui pode ter um político de estimação”, afirmou.

    Para a cantora, encerrada a disputa eleitoral, o foco deve ser a fiscalização dos representantes eleitos. “O ataque acabou, a briga acabou. Agora é daqui para frente. Vamos cobrar com seriedade, com atenção”, disse.

    Anitta encerrou a reflexão afirmando que políticos são passageiros, enquanto as ideias permanecem. “Vão-se os políticos e ficam as ideias. […] A gente tem que defender ideias favoráveis para a sociedade.”

    Anitta faz ressalva após primeiro vídeo

    Depois de publicar a sequência de stories, Anitta voltou às redes sociais para acrescentar uma ressalva ao discurso sobre respeitar e conviver com pessoas que votaram de maneira diferente. A cantora explicou que essa tolerância não se estende, segundo ela, a comportamentos racistas, homofóbicos, misóginos ou discriminatórios contra povos indígenas.

    “Quero ter o direito de amar pessoas que não votaram no Lula, mas esqueci de uma parte muito importante: desde que a pessoa não utilize ou não estivesse se utilizando disso para se sentir livre para praticar homofobia, misoginia, racismo”, afirmou.

    Para a artista, esse tipo de comportamento ultrapassa divergências partidárias.

    “Isso, de fato, não tem nada a ver com lado político; tem a ver com caráter e outras coisas. Isso é muito importante deixar claro”, concluiu.