Wagner compara reação do mercado à eleição de Lula em 2002

    Senador também levantou a possibilidade de que o movimento seja motivado por interesses do próprio mercado

    Foto: Carlos Moura/Ag. Senado

    O senador Jaques Wagner (PT) afirmou nesta segunda-feira (26) que a reação negativa do mercado financeiro à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não deve se prolongar.

    Em entrevista ao UOL News, o petista comparou a movimentação atual da bolsa de valores ao comportamento dos investidores após a primeira vitória de Lula, em 2002, e disse não ver motivos para o que classificou como uma reação de pânico.

    Para Wagner, a oscilação dos indicadores financeiros não reflete necessariamente as condições reais da economia brasileira. O senador também levantou a possibilidade de que o movimento seja motivado por interesses do próprio mercado.

    “Eu não sei se isso é pânico ou oportunismo. Em 2002, não foi diferente. Assim que foi anunciada a vitória do Lula, disparou tudo que está disparando agora. Depois, ele se mostrou o presidente — se não o mais responsável um dos mais responsáveis do ponto de vista fiscal na história do país”, declarou.

    O parlamentar demonstrou expectativa de que o cenário se estabilize nos próximos dias. “Eu acredito que esse pânico, daqui a dois ou três dias, volta ao normal. Não acho que isso seja real”, acrescentou.

    Senador rejeita proposta de corte de gastos de Flávio

    Durante a entrevista, Wagner também descartou a possibilidade de o governo responder à reação do mercado com cortes de despesas. O senador ainda criticou a proposta de ajuste fiscal superior a R$ 200 bilhões apresentada por Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula na disputa presidencial.

    Sem detalhar quais medidas poderiam compor o plano do senador do PL, Wagner afirmou que não sabe de onde viriam os cortes previstos. Ele também avaliou que a postura do presidente reeleito combina responsabilidade nas contas públicas com compromissos sociais.

    “Eu não sei exatamente de onde ele ia cortar, mas tudo indica que o mercado financeiro estava olhando com bons olhos. Lula não é um cara gastador, é um cara responsável socialmente e fiscalmente”, concluiu.