O vereador de Salvador Cézar Leite (PL) afirmou, nesta terça-feira (27), em entrevista exclusiva ao bahia.ba, que Flávio Bolsonaro (PL) teria deixado o Brasil para proteger a própria família diante do que classificou como perseguição política a opositores do governo federal. O parlamentar também contestou o uso do termo “fuga” para se referir à possível saída do senador do país.
“É, corrigindo só, ‘fugiu’ é um termo muito forte, né? Mas ele se protegeu. Porque, na verdade, quando a gente pensa em fugir, pensa em um criminoso, e Flávio não tem crime algum, pelo contrário”, declarou.
Cézar Leite afirmou que o Brasil vive, na avaliação dele, uma “ditadura” e acusou instituições de promover perseguição contra adversários políticos. Segundo o vereador, Flávio teria evitado avisar previamente os aliados sobre seus planos para não expô-los a possíveis consequências.
“Flávio não falou com os aliados, claro, até mesmo para proteger os aliados sobre o que pode acontecer aqui no Brasil. E, pelo que a gente tem acompanhado, ele já se encontra realmente nos Estados Unidos, protegendo a sua família, a sua esposa e os dois filhos”, disse.
Vereador questiona pedido de passaporte
Durante a entrevista, Cézar Leite também questionou a solicitação de entrega dos passaportes de Flávio Bolsonaro atribuída ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O vereador argumentou que o senador não teria cometido crimes e criticou a medida, relacionando-a ao cenário político após a eleição presidencial.
“Agora imagine você ter que sair daqui do Brasil dessa forma, tirar seus filhos da escola. Por quê? Porque existe hoje toda uma ação sendo realizada para você calar opositores”, afirmou.
O edil ainda mencionou um trecho de um debate eleitoral em que, segundo ele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria antecipado possíveis consequências judiciais para Flávio após a derrota nas urnas. Cezar questionou se a fala indicaria conhecimento prévio de alguma medida contra o senador.
“Quer dizer, o Lula já estava sabendo de alguma coisa? Já estava meio que sabendo que o Alexandre de Moraes iria pedir o passaporte do nada do Flávio, já que Flávio não tem crime algum?”, questionou.
Ao final, o vereador voltou a criticar a atuação das instituições brasileiras e afirmou que haveria uma tentativa de impedir a atuação de adversários políticos. “Então, você vê que está tudo sendo fechado para caçar e prender opositores políticos. Nós não vivemos hoje numa democracia no Brasil”, concluiu.



