Dirigente do PT reage à viagem de Flávio e aponta temor de prisão

    Éden Valadares afirmou que candidato derrotado abandonou eleitores e partido

    Foto: Vinícius Magalhães / ASCOM PT

    O secretário nacional de Comunicação do Partido dos Trabalhadores (PT), Éden Valadares, criticou duramente a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do país em direção aos Estados Unidos após a derrota no segundo turno das eleições presidenciais.

    Para o dirigente petista, a movimentação do parlamentar ocorre no contexto do fim do seu mandato no Senado e da iminente perda do foro privilegiado, em meio a apurações judiciais das quais é alvo.

    Em declaração sobre os relatos de viagem do senador, Valadares afirmou que a atitude demonstra incoerência com o discurso adotado pelo candidato derrotado ao longo da campanha e no dia da votação.

    “Todo valentão é um covarde. Quanto mais brada, quanto mais grita, mais covarde ele é. De manhã, Flávio disse que não ia reconhecer as eleições e convocou seus seguidores a ir para as ruas. À tarde, isolado pelo próprio partido, mudou o discurso e disse que ia liderar a oposição e que não desistiria do Brasil. À noite, na calada da noite, fugiu do país. Não aguentou 24h sequer”, declarou Éden.

    Críticas à conduta política e menção a investigações

    O secretário do PT comparou a conduta do senador às saídas do país realizadas por outros membros de sua família e apontou prejuízo aos eleitores que apoiaram a candidatura do PL.

    “Flávio segue o roteiro do irmão foragido e do pai que tentou quebrar a tornozeleira e pegou o caminho da fuga. Deixa para trás quem votou nele, quem acreditou neles. Mas nunca foi sobre o Brasil. Nunca foi sobre ser de direita ou ser conservador. Sempre foi sobre os interesses da própria família. Não tem compromisso com o país, não tem amor pelo Brasil; tem apenas projeto de poder, tem apenas a intenção de cobrir seus crimes, se safar da justiça”, afirmou.

    Valadares acrescentou que o afastamento do parlamentar representa um desrespeito ao Congresso Nacional e à sua própria base partidária no Poder Legislativo.

    “Não importam seus apoiadores, não importam seus seguidores, a bancada no Senado, na Câmara… Não importa nada”, disse.

    Perseguição política?

    Ao comentar o discurso da oposição, o dirigente rebateu teses de perseguição política e citou os inquéritos e apurações que envolvem o nome do senador, incluindo suspeitas de lavagem de dinheiro, repasses em esquemas financeiros e controvérsias patrimoniais.

    “E, apesar do discurso que o seu Nikolas e outros enganadores vão falar, Flávio não está fugindo de perseguição alguma. Foi candidato e perdeu na urna. Mas, depois da derrota, ele lembrou que é investigado por corrupção e lavagem de dinheiro, investigação instaurada por André Mendonça. Ele lembrou que está todo enrolado no escândalo do Banco Master e nas bets de Willer Thomaz. Ele lembrou da ilha de Richarlison, das milícias, da rachadinha”, alegou o dirigente.

    Por fim, o secretário petista defendeu o respeito às instituições e à Constituição Federal no cenário pós-eleitoral.

    “Flávio foge da justiça. Foge da polícia. Foge da verdade. E deixa para trás quem acreditou nas suas mentiras. Larga a mão de quem caminhou ao seu lado. Dá um tapa na cara de quem foi para a rua defender a mudança. Flávio queria ser presidente para não ser preso. Fugiu para não ser preso. Mas que sua fuga sirva para tirar da prisão da mentira quem acreditou nele. O Brasil tem presidente, tem Constituição, tem lei, tem governo. Que tenha oposição de verdade, e não uma família fugindo da justiça”, concluiu.