O senador eleito pela Bahia, Rui Costa (PT), afirmou nesta quinta-feira (29) que o resultado das eleições presidenciais demonstra a busca do eleitorado pelo fim dos conflitos políticos.
Durante entrevista na qual analisou o pleito do último domingo (25), o ex-governador e ex-ministro da Casa Civil projetou as prioridades do próximo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o papel do Congresso Nacional.
Ao avaliar o momento do país, o parlamentar eleito defendeu a necessidade de substituir os embates partidários pela pauta econômica e social. “O povo está cansado dessa polarização, o povo está cansado dessa disputa que não significa disputa para melhorar a vida das famílias, a vida das pessoas. A sociedade brasileira deseja uma pacificação”, afirmou Rui Costa.
Rui projeta resoluções
Para o senador, a atuação de deputados e senadores nos próximos quatro anos deve ser direcionada para a gestão de problemas estruturais.
“As pessoas não querem mais esse disse-me-disse, esse bate-boca. Eu sou defensor de que a gente não fique debatendo mais essas questões do passado, questões pessoais ou familiares. O que a gente vai discutir com a sociedade, com o Brasil, é o que nós vamos fazer para melhorar o emprego, para baixar o custo de vida da população, para melhorar a mobilidade urbana, para aumentar a competitividade do país”, defendeu.
Rui Costa também comentou as investigações judiciais e a recente saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil após a derrota nas urnas.
“Nós, políticos, o Congresso, temos que nos concentrar em cuidar das pessoas. Nós fomos eleitos para isso, não fomos eleitos para ficar debatendo eventuais crimes que uma família ou algumas pessoas tenham cometido”, declarou. Sobre a viagem do parlamentar da oposição para os Estados Unidos, acrescentou: “Alguém que age dessa forma prova o que tem na alma, no coração”.
Virada de Lula
Em relação à mobilização no segundo turno, Rui declarou que “o Brasil mostrou no segundo turno que é sorriso, que é alegria, que busca humanidade”, citando o apoio popular no transporte de idosos aos locais de votação.
Sobre a formação do ministério para o quarto mandato de Lula, o senador eleito sustentou que o chefe do Executivo deve ter autonomia irrestrita na escolha dos nomes.
“Eu acho que, aos 81 anos, ganhando a eleição como ele ganhou, ele deve ter absoluta liberdade para montar sua equipe, e nenhum constrangimento deve ser criado a ele. Ter a sintonia com que as ruas falaram neste segundo turno é uma oportunidade única. Ele quer fazer deste último mandato uma referência, maior do que foram os outros mandatos dele”, finalizou.
Otto reforça pedido por pacificação
Em entrevista exclusiva ao bahia.ba na manhã desta quinta-feira (29), o aliado do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Otto Alencar (PSD-BA), afirmou que não foi bem interpretado quando falou sobre a possibilidade de anistia para os responsáveis pelos atos de 8 de Janeiro.
“Não tem projeto de anistia. O que eu conversei com Davi (Alcolumbre) foi que, depois das eleições, o Congresso e as instituições tivessem um sentimento de harmonizar e pacificar a vida nacional para acabar com essa polarização. Teve uma interpretação errada sobre anistia. Eu votei contra anistia no Senado, votei contra a dosimetria”, disse Otto ao revelar conversa com o líder do Congresso.


