
Diversos casos de intolerância com base em divergências políticas têm aparecido no pós-eleição deste ano. Em Ibicaraí, Lu de Mariza foi alvo de uma dessas situações. Em entrevista ao bahia.ba, a mulher falou sobre como descobriu, através das redes sociais, que uma foto tirada sem a sua autorização foi publicada nas redes sociais, como forma de deboche sobre a aparência de eleitores do PT.
Lu de Mariza explicou que tem quatro filhos, de 14 anos, 10, 11 e 7 anos, e cuida sozinha deles, com apoio apenas da mãe. No dia em que a foto foi tirada, ela saiu para comprar pastel para um dos filhos e voltou para casa. Um tempo depois, um dos filhos e a prima avisaram uma foto dela tinha sido postada sem a autorização.
A postagem em questão, feita pela fisioterapeuta Cíntia Assunção, mostra Lu de Mariza com vestido e cabelo vermelhos. A responsável pela postagem colocou um emoji de palhaço tapando o rosto de Lu, para esconder a identidade dela, e a legenda “A skin de quem decide o Brasil. Good Night”.
Lu de Mariza relatou que se sentiu muito desconfortável ao ver a publicação, ao ponto de, até o dia da entrevista, nesta quinta-feira (29), ainda não ter saído de casa por estar envergonhada.
“Eu nunca pensei, nunca imaginei que ia ter gente assim, com coração tão maldoso, né? Vazio”, disse Lu de Mariza. “De pegar, por um partido perder e o outro ganhar, pegar uma pessoa que não tem nada a ver […] sou humilde, sou independente, só pego Bolsa Família, sou mãe solteira, nunca pedi nada para ninguém. Não tenho mágoa nem maldade, entreguei tudo na mão de Deus. Tem gente que tem dinheiro, pensa que dinheiro é tudo, mas dinheiro não é tudo, não.”
Lu de Mariza disse que foi bloqueada após reclamar da publicação
A mulher que foi fotografada sem a autorização disse que reclamou com a responsável pela publicação, mas foi bloqueada no Instagram. Após a repercussão, Lu de Mariza contou que a mulher tentou pedir desculpas a ela e publicou uma retratação no próprio perfil, mas que não aceitou por estar muito magoada com a situação.

“Ela falou que não queria desrespeitar ninguém, […] quando ela posta uma foto sem a permissão da pessoa, ali já tá cometendo um crime”, contou.
Um B.O. (Boletim de Ocorrência) foi aberto para denunciar o caso e Lu de Mariza afirmou que a sua advogada está cuidando dos trâmites legais. O bahia.ba entrou em contato com a fisioterapeuta Cíntia Assunção, mas, até o momento de publicação, não obteve resposta. O espaço segue aberto para manifestação.
Influenciadora de Ibicaraí ajudou a denunciar caso nas redes sociais
Apesar do sofrimento, Lu de Mariza firmou que a influenciadora Inha Mendes, também de Ibicaraí, foi uma aliada no processo de denunciar a situação nas redes sociais.
“Independente de política, cada um vota quem quer. Mas chegar, tirar uma foto da pessoa, com preconceito, racismo, aí já é demais”, disse Inha Mendes. “Até hoje ela [Lu de Mariza] tá lutando junto com outras pessoas para poder combater isso. Infelizmente não vai combater isso num país todo, mas o que a gente puder fazer nós vamos fazer”.
Fisioterapeuta se manifesta após repercussão de publicação
Após ser procurada pelo bahia.ba, a fisioterapeuta Cíntia Assunção apresentou sua versão sobre o episódio. Ela afirmou que a fotografia foi feita em um local público, durante uma manifestação política, e que utilizou um emoji para cobrir o rosto da mulher com o objetivo de preservar sua identidade. Segundo Cíntia, a legenda tinha caráter de ironia política e não pretendia atingir pessoalmente ou discriminar a fotografada.
Em sua manifestação, a fisioterapeuta também declarou que apagou o Story pouco depois de publicá-lo, antes mesmo de saber que Lu de Mariza havia sido identificada. Ela atribuiu a circulação da imagem às republicações feitas por terceiros e disse que publicou espontaneamente uma retratação após a repercussão do caso.
“A fotografia foi registrada em local público, em meio a outras pessoas, e utilizei um emoji para cobrir o rosto da pessoa, justamente para não expor sua identidade. A legenda utilizada foi uma expressão de ironia relacionada ao cenário político, sem a intenção de direcionar ofensas pessoais, constranger ou discriminar alguém por sua cor, origem ou qualquer característica individual.”
Cíntia também afirmou respeitar o direito à imagem e à liberdade de expressão, além de lamentar a repercussão. Na retratação, disse reconhecer que a maneira de expressar uma manifestação pode provocar diferentes interpretações e causar desconforto. A fisioterapeuta reforçou que não teve intenção de promover discriminação ou atacar individualmente a mulher.
“Respeito o direito de todas as pessoas à própria imagem, assim como considero legítimo o direito à liberdade de expressão e à manifestação de opiniões políticas. Lamento a repercussão e reforço que não tive intenção de promover discriminação ou atacar individualmente qualquer pessoa.”


