Pesquisadores descreveram uma nova espécie de bromélia a partir de exemplares encontrados na Serra da Jiboia, região que abrange municípios do Recôncavo e do Vale do Jiquiriçá, como Elísio Medrado, Santa Teresinha, Amargosa, Varzedo, São Miguel das Matas e Castro Alves.
Batizada de Racinaea nana, a planta já é considerada criticamente ameaçada de extinção e tem ocorrência restrita em uma área no topo da serra, estimada em apenas 4 km², no município de Elísio Medrado. O local não é protegido por Unidades de Conservação oficiais, o que deixa a bromélia sujeita a queimadas e à degradação ambiental.
Para preservar seu registro científico, os espécimes coletados foram depositados no Herbário do Recôncavo da Bahia (HURB), localizado no campus da UFRB, em Cruz das Almas. O acervo é fundamental para a documentação, conservação da flora baiana e estudos futuros.
Descoberta faz parte de um estudo muito maior
A pesquisa que resultou na descoberta foi conduzida por Everton Hillo de Souza e Lidyanne Aona, da UFRB (Universidade Federal do Recôncavo da Bahia), em parceria com pesquisadores(as) do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ/CNCFlora) e da Embrapa Mandioca e Fruticultura.
O estudo em questão ocorreu entre os anos de 2019 a 2025 e resultou no registro de 61 espécies de bromélias na Serra da Jiboia, distribuídas em três grupos (Bromelioideae, Tillandsioideae e Pitcairnioideae).
Do total, 20 são endêmicas da Bahia, ou seja, não existem em nenhum outro local do mundo. Dez delas têm a serra como local onde foram identificadas pela primeira vez.
Desde 2002, pesquisadores que, hoje, estão na UFRB conduzem pesquisas na região. Para Everton Hillo, a serra é “o nosso laboratório de campo”, onde são realizadas aulas práticas para estudantes de graduação e pós-graduação.
Para o pesquisador, a descoberta e descrição da Racinaea nana mostram que a Serra da Jiboia ainda guarda segredos botânicos e exige medidas imediatas de proteção ambiental. “Não podemos esperar conhecer absolutamente tudo para começar a proteger uma área”, defendeu o pesquisador.
Sobre a Racinaea nana
A Racinaea nana pertence à subfamília Tillandsioideae e mede entre 12 e 16 centímetros de altura. O tamanho pequeno foi o responsável pela escolha do nome: nana vem do latim e significa “anã”.
A planta é uma espécie epifítica e cresce no tronco e galhos de pequenos ramos e arbustos, em áreas de floresta nas partes mais altas da serra.

De acordo com Hillo, somente essas características não foram necessárias para considerá-la uma nova espécie. O pesquisador explicou que, no processo científico, é preciso fazer análises minuciosas de estrutura, folhas, flores e inflorescência e comparar o material com espécies já conhecidas.
“[No caso da Racinaea nana] a comparação revelou um conjunto consistente de características que diferenciava aquela população: o porte muito menor, as folhas menores, a inflorescência geralmente simples e a porção fértil mais curta. Esse conjunto de características permitiu reconhecer a planta como uma espécie distinta”, explica
Embora tenha sido descrita como uma nova espécie recentemente, a planta já havia sido coletada anos atrás. O pesquisador explicou que foi necessário aguardar até que a planta florescesse em cultivo e produzisse material reprodutivo adequado para confirmar sua identidade.


