Após virada, Ceni aponta o que falta ao Bahia para chegar ao G-4

    Treinador analisa derrota para o Cruzeiro, critica postura da equipe e admite possíveis mudanças táticas

    Foto: Catarina Brandão / EC Bahia

    A derrota por 3 a 2 para o Cruzeiro, nesta quinta-feira (5), no Mineirão, levou Rogério Ceni a fazer uma avaliação sobre o estágio atual do Bahia no futebol brasileiro. Em entrevista coletiva após a partida, o treinador reconheceu que o Esquadrão ainda não alcançou o nível de alguns concorrentes pelas primeiras posições da Série A e apontou a necessidade de evolução para transformar a disputa por uma vaga no G-4 em um objetivo mais consistente.

    A análise veio depois de mais um confronto em que o Esquadrão não conseguiu sustentar um resultado favorável diante de um adversário da parte de cima da tabela. O Bahia abriu o placar com Kike Olivera, mas sofreu a virada do Cruzeiro, que marcou duas vezes com Kaio Jorge e uma com Bruno Rodrigues. Alejo Véliz descontou nos acréscimos.

    Ao abordar a distância entre o Bahia e os clubes que disputam as primeiras colocações, Ceni destacou:

    “Existem equipes que ainda estão em um nível acima do nosso. Infelizmente, conseguimos competir, igualar as ações e até sair momentaneamente na frente, mas há times que parecem estar um pouco acima de nós. Tentamos diminuir essa diferença com competitividade, luta e com a maneira como podemos criar oportunidades. Às vezes, porém, não conseguimos superar adversários que talvez estejam mais preparados hoje para brigar pela primeira, segunda ou terceira posição do campeonato”, avaliou.

    O treinador também recorreu ao retrospecto recente do clube para explicar sua avaliação. Na comparação com 2025, quando o Bahia conseguiu resultados expressivos diante de Palmeiras e Flamengo, ele reconheceu uma queda de desempenho nos confrontos com adversários mais fortes.

    “No ano passado, vencemos o Palmeiras duas vezes e também ganhamos do Flamengo. Acho que foi uma temporada em que conseguimos enfrentar melhor os adversários que estão na parte de cima da tabela. Neste ano, realmente, a única equipe desse grupo que vencemos foi o Athletico-PR”, afirmou.

    Mudança de postura após o gol preocupa Ceni

    Além da diferença técnica entre os elencos, o treinador dedicou parte da coletiva à análise do comportamento do Bahia no Mineirão.

    “Não sei por que mudamos depois de marcar. Não tivemos mais a bola, não conseguimos trocar cinco passes e mudamos nosso comportamento simplesmente pelo fato de o gol ter acontecido. Não adianta fazer um gol e, depois, recuar sem entender exatamente o motivo. Não é uma decisão objetiva de recuar para contra-atacar. Nós tínhamos uma maneira de jogar, independentemente do resultado, mas mudamos nosso comportamento depois de marcar”, declarou.

    O técnico também admitiu a possibilidade de modificar a organização defensiva para os últimos compromissos da temporada. Entre as alternativas mencionadas estão o retorno a uma formação com três jogadores de maior consistência no meio-campo e ajustes no comportamento defensivo do atual 4-4-2.

    Quatro jogos para buscar a Libertadores

    Apesar das dificuldades reconhecidas pelo treinador, o Bahia segue na disputa por uma vaga na Libertadores de 2027. O Esquadrão ainda enfrentará Grêmio, Coritiba, Botafogo e Atlético-MG.

    Ceni projetou uma sequência decisiva, na qual o desempenho físico e a concentração terão peso importante. “Será um final de campeonato dramático e difícil, porque todos os adversários têm objetivos em disputa. Precisamos vencer, melhorar a parte física e mental, especialmente a concentração, e competir ao máximo”, concluiu.

    A equipe comandada por Rogério Ceni permanece na sexta colocação, com 53 pontos, um atrás do Fluminense, quarto colocado com 54, que ainda enfrentará o Vitória nesta rodada e poderá ampliar a diferença.

    O próximo compromisso do Tricolor será no dia 18 de novembro, às 21h30, contra o Grêmio, na Arena do Grêmio, em Porto Alegre, pela 35ª rodada da Série A.