Frase da vez
“CPI é uma maneira esdrúxula de não se chegar a resultado algum”
Antonio Carlos Magalhães, ex-governador da Bahia (1927-2007)

Alguém acredita que a CPI do Centro de Convenções vai produzir algum resultado jurídico consistente?
Tecnicamente, ela tem que produzir um relatório a ser encaminhado ao Ministério Público apontando os responsáveis pelo objeto investigado, no caso em apreço, o Centro de Convenções da Bahia. Vai produzir resultados concretos. O histórico das CPIs indica que não.
A última CPI em que uma instituição governamental esteve na berlinda foi a da Ebal, entre 2007 e 2008. Após 11 meses de trabalho terminou com um relatório de 50 mil documentos em 67 pastas além do pedido de indiciamento de 14 pessoas por formação de quadrilha, improbidade administrativa, peculato e falso testemunho. E no que deu? Até agora, ao que se saiba, em nada.
Mas politicamente as CPIs são bons palanques. A da Ebal, montada no alvorecer do governo de Jaques Wagner, tinha como alvo atores dos governos de César Borges e Paulo Souto. Os petistas e outros anticarlistas deitaram e rolaram.
Agora, o cipó volta. No caso do Centro de Convenções a oposição já tem um discurso pronto: o descaso dos governos do PT com o turismo e a consequente falta de manutenção, deixaram o prédio cair. A banda governista admite que a falta de manutenção é óbvia, mas desde sempre, não apenas agora.
Óbvio que os governistas dominam amplamente a CPI, com uma conjugação de forças de 6 a 3. E o tiroteio vai rolar à solta. Para 2017, um ano sem eleição em que a Lava Jato suga a pauta da mídia, ótimo.
Mas objetivamente o fato é que nos governos do PT dois emblemas de Salvador desabaram. No governo de Jaques Wagner caiu a Fonte Nova, com sete mortos. No de Rui Costa, o Centro de Convenções, sem vítimas (menos mau).
Fica nisso: quem morreu, morreu. E o resto é blábláblá.
Com serenidade
Luciano Ribeiro (DEM), um dos nomes oposicionistas, diz que vai agir na CPI com bastante serenidade:
— Teremos uma postura de magistrado. Com serenidade, mas com rigor.
Luciano, um deputado oposicionista sempre sensato, pode ter tal postura. Mas quem garante pelo resto?
A opção Rosemberg
Rosemberg Pinto (PT) não gostou de ver a CPI. Acha que não tem sentido porque, no entendimento dele, o Centro de Convenções desmoronou por falta de manutenção, mas historicamente:
— Se fosse por mim não indicaríamos os nomes, o que levaria o caso para o plenário e lá derrubaríamos. A CPI é só palanque.
É ou não é, eis a questão
A saída dos deputados Jurandy Oliveira e Euclides Fernandes do PSL (ambos voltam aos seus partidos de origem, respectivamente PRP e PDT) detonou a bancada independente na Assembleia.
Explicando: para formar bancada, tem que ter no mínimo seis deputados. Com isso, eles não indicam nomes para a CPI.
Dizem lá que foi uma jogada de Rui Costa. Agora, é governista ou não é. E ponto.

