Delações da Odebrecht: entre mortos e feridos, há afogados de todos os lados

    Independentemente do mérito da questão, no mar da Lava Jato, é a primeira vez em toda a sua trajetória que ACM Neto se coloca na defensiva

    Frase da vez

    “Que continuemos a nos omitir da política é tudo o que os malfeitores da vida pública mais querem”

     Bertolt Brecht, dramaturgo e poeta alemão (1898-1956).

    Foto: João Brandão/ bahia.ba
    Foto: João Brandão/ bahia.ba

     

    Se pudéssemos resumir em uma frase o tsunami das delações da Odebrechet diríamos que entre mortos e feridos ninguém se salvou.

    O PT, que já estava melado até o pescoço, viu o seu principal líder, o ex-presidente Lula, se melar mais ainda.

    A oposição, que foi às ruas gritar contra a corrupção nos dias que antecederam o impeachment de Dilma, também está toda lambuzada. No fim, morre o povo, já sofrido, com uma crise que tende a se alongar.

    Antes, os petistas festejavam como vantagens as revelações dos envolvimentos de Aécio Neves, Michel Temer e seus ministros, um caminho que iria dar no descrédito total do governo, levando de roldão, no caso baiano, a aura de pureza da oposição.

    Não é lá grandes coisas em um cenário de terra arrasada, mas ACM Neto é um dos grandes perdedores. Disse através de nota estar tranquilo, aguardando tomar conhecimento do teor da acusação.

    Não é bem assim. Independentemente do mérito da questão, no mar da Lava Jato, ele, que estava virgem, já não está. E também é a primeira vez em toda a sua trajetória que se coloca na defensiva.

    De qualquer forma, em um ponto foi bom para ele: a divulgação simultânea de todos os listados. Tirou o foco.

    Nilo indignado

    Marcelo Nilo (PSL), ex-presidente da Assembleia, não esconde que ficou surpreso ao ser citado:

    — Me citaram por 2014. Foi tudo oficial, às claras. Recebi R$ 294 mil e tenho as provas.