Lula e Cunha estão em parte sigilosa de lista de Fachin

    O ex-ministro Antonio Palocci (PT) e o senador Edison Lobão (PMDB-MA) também figuram em entre 25 petições feitas em segredo

    Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

    O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ex-ministro Antonio Palocci (PT), o senador Edison Lobão (PMDB-MA), o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB) e o ex-ministro Henrique Eduardo Alves (PMDB) são alguns dos nomes que figuram nas 25 petições feitas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) que ainda estão em segredo. Os pedidos seguem em sigilo por decisão do ministro Edson Fachin e da PGR, que entenderam que a sua divulgação pode prejudicar as investigações.

    Conforme o jornal o Estado de São Paulo, que teve acesso à lista baseada em delações de ex-executivos da Odebrecht, há relatos de pagamentos de vantagens indevidas em nove campanhas eleitorais, em um total de R$ 17,43 milhões – parte do valor foi pago em dólar.

    A atuação de Lula é citada em relação às operações da Odebrecht em Cuba, no Porto de Mariel, e em Angola, em um contrato assinado entre o grupo baiano e a empresa Exergia, de propriedade de Taiguara Rodrigues, sobrinho da primeira mulher do ex-presidente. As informações e documentos serão encaminhados à Justiça Federal do Paraná, a pedido da PGR, porque fatos semelhantes já eram apurados previamente.

    Em relação a Antonio Palocci, o pedido é para investigar as afirmações de delatores de que o ex-ministro fez pedido para pagamentos a campanhas eleitorais às presidências do Peru e de El Salvador. No país da América Central, o valor pago ao marqueteiro João Santana, segundo os relatos, foi de R$ 5,3 milhões para que ele trabalhasse na campanha de Maurício Funes, eleito em 2009.

    Os suspeitos que não detêm prerrogativa de foro são investigados no caso pela 13ª Vara Federal do Paraná, sob responsabilidade do juiz Sérgio Moro.

    Campanhas sob suspeita – Além das campanhas no exterior, estão sob sigilo informações que a Odebrecht entregou sobre pagamento de valores via caixa 2 em três campanhas no Brasil. Entre os fatos relatados está o pagamento de R$ 2 milhões para o ex-ministro Henrique Eduardo Alves (PMDB) na campanha eleitoral para o governo do Rio Grande do Norte em 2014, na qual, segundo os delatores, o próprio candidato e o ex-deputado Eduardo Cunha teriam pedido o dinheiro.

    Outra campanha citada envolve o senador Valdir Raupp (PMDB-RJ), que teria recebido R$ 500 mil na candidatura ao Senado em 2010, de acordo com delatores, o que corrobora com as informações apresentadas anteriormente pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado em seu acordo de delação premiada. Neste caso, as informações serão incluídas nos autos de dois inquéritos já existentes no Supremo.

    A terceira campanha sob suspeita é a de Luiz Fernando Teixeira Ferreira, deputado estadual em São Paulo, pelo PT, apontado como destinatário de R$ 300 mil na campanha em que foi eleito em 2014. A petição foi enviada ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região.