E Temer vai tirar o Brasil do buraco? Se sim, chame o Vaticano. Tem milagre

    O detalhe é que o presidente é impopular, não subiu a rampa, entrou pela porta do lado e, de quebra, a representação política à sua volta está bombardeada por denúncias

    Frase da vez

    “Um amor, uma carreira, uma revolução: outras tantas coisas que se começam sem saber como acabarão

    Jean-Paul Sartre, filósofo francês (1905-1980)

    Foto: Lula Marques/ Agência PT
    Foto: Lula Marques/ Agência PT

     

    Muito já se viu, mundo afora, governos tomarem medidas duras, impopulares, para tirar países em crise do buraco. Mas com dois detalhes: quem criou o problema caiu em desgraça política e os proponentes das amargas soluções são outros atores, legitimados pelo voto popular, com um cabedal de popularidade para gastar.

    Foi mais ou menos isso que Fernando Henrique Cardoso, o ex-presidente, disse ontem no fórum que Gilmar Mendes, o ministro do STF, realiza em Lisboa.

    Ele não citou Temer, nem precisa. Deu o recado. Ora, no Brasil quem criou o problema foi Dilma, caiu.

    O detalhe é que Temer é impopular, não subiu a rampa, entrou pela porta do lado e, de quebra, a representação política à sua volta está bombardeada por denúncias de corrupção da pesada, envolvendo bilhões.

    Candidamente, Temer disse ontem que não “é porque fulano falou de beltrano que o Brasil vai parar”. Quer tocar a agenda.

    Ok. O problema é que os fulanos em apreço estão dizendo que os beltranos são uma enorme quadrilha de ladrões.

    Temer tem a impopularidade, um Congresso, sua principal base de sustentação, lambuzado até o pescoço no esquemão da Odebrecht, uma economia mais para estagnada em uma situação ruim e quer acabar bem o mandato, no embalo de uma economia recuperada.

    Convenhamos, para nossa tristeza, porque pagamos o pato, se tudo sair como ele quer, foi bruxaria. Ou chame o Vaticano. Tem milagre na parada. E santo forte, porque até o Papa tirou o time.

    De sobremesa, para fechar o cardápio de dissabores. Ano que vem tem eleição. Tem mais essa a olhar. E tentar evitar tiroteio.