A luta pela descriminalização das drogas está turbinada. Será que vai?

    O pior: a PM entra em uma briga que não deveria ser dela, e paga caro, em vidas. Em suma, a questão é de saúde pública, como o álcool e o cigarro, não de polícia

    Frase da vez

    “Eu apoio a descriminalização. As pessoas vão fumar maconha de qualquer maneira e transformá-las em criminosas por causa disso é errado.”

    Paul McCartney, ex-Beatle, cantor, compositor, produtor musical e de cinema (1942)

    Imagem registrada durante marcha a favor da descriminalização da maconha (Foto: Ademir Ribeiro)
    Imagem registrada durante marcha a favor da descriminalização da maconha (Foto: Ademir Ribeiro)

     

    Cresce no Brasil, na Bahia também, o debate em favor da legalização das drogas. O que se diz: a forma de enfrentamento adotado pelo Estado hoje é o do combate armado, que resulta em uma guerra sem fim e institui uma carnificina. O pior: a PM entra em uma briga que não deveria ser dela, e paga caro, em vidas. Em suma, a questão é de saúde pública, como o álcool e o cigarro, não de polícia.

    O time dos defensores é absolutamente insuspeito. Gente do Ministério Público, do Judiciário, da Polícia Civil, agora fortalecidos com o apoio de dois notáveis, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o ministro Luiz Barroso, do STF.

    O médico Túlio Alves, pós-doutor em anestesiologia, professor da Uneb, especialista em dor, há muito engorda o time dos que lutam pela liberação da maconha para fins medicinais. Nem isso consegue:

    — É um absurdo. Imagine que a anestesia de dentista é feita à base de cocaína. E o Brasil proíbe o uso da cannabis, mas importa o remédio até por decisão judicial.

    Os dois cenários dão a ideia de que há longo caminho a percorrer. Mas enfim se vê a busca de uma saída sensata.

    Interesses ocultos

    Túlio diz só entender tais coisas pela preservação dos altos interesses de alguns, inclusive do comércio de armas:

    — Em alguns países como a Holanda a liberação foi feita e as estatísticas não mudaram. Aqui, há muitos interesses por trás.

    Do jeito que é, muitos lucram.