Frase da vez
“Final de semana sem dinheiro é tipo zói azul em gente fêa, num serve de nada.”
Signos Nordestinos, coletânea de frases paridas da alma nordestina espalhada na internet.

Sete dos nove governadores do Nordeste estavam na manhã da quinta-feira (11) na Secretaria de Segurança Pública da Bahia. Não pense mal, nestes tempos de Lava Jato. Foi mera coincidência, como também é coincidência o congresso que vai se realizar em Curitiba de 23 a 26 deste mês para discutir as ervas daninhas e a resistência aos herbicidas.
Os governadores, em encontro periódico, desta vez em Salvador, chutam divergências partidárias e buscam unir os pleitos comuns dos estados mais pobres, com o Nordeste bem pontuado no ranking maligno. O que revela boa estratégia.
Pobre e sofrido, com a terra árida, o Nordeste sempre esteve na sarjeta do Brasil, a julgar pelo trato da coisa pública lá em Brasília. Até não muito atrás, era um grande fornecedor de mão-de-obra escrava para o sul do país. Mas tem um lado bom: é bem mais perto da Europa e dos EUA. Um mérito de Lula que ninguém lhe tira, a viabilização dos portos de Pecém no Ceará e Suape em Pernambuco. Mas a distância no status e no trato ainda é grande.
Os governadores querem isso, tratamento diferenciado para quem é mais pobre. É o papel deles. É o tipo da iniciativa que tem que ter. Até para dar pitaco nas questões nacionais de forma diferenciada, como fez Flávio Dino (PCdoB), governador do Maranhão:
— Combater a corrupção é dever de todos, no dia-a-dia, mas não vamos resolver os problemas do país nos fixando só neste assunto. Em suma, não deixar a Lava Jato virar uma erva daninha resistente a herbicida.
Pedidas
Os governadores conversaram com jornalistas na chegada e na saída, mas o encontro propriamente dito entre eles foi a portas fechadas. Discutiram no particular a Previdência Complementar, um modelo que a Bahia criou, deu certo, e os outros vão copiar. E principalmente a pedida conjunta expressa na Carta de Salvador, de tratamento diferenciado nos empréstimos do BNDES, a quem os nordestinos devem muito.
E daí? Só há um caminho para se saber: esperar.
Descontração
A certa altura da conversa, criticando os males que a reforma da Previdência vai fazer, Renan Filho (PMDB), de Alagoas, que é filho do senador Renan Calheiros, crítico do governo, mas aliado por ser do PMDB, o partido de Temer, afirmou:
— Precisamos ser mais enfáticos!
Flávio Dino (PCdoB), do Maranhão, aproveitou a brecha e entrou:
— Renan, precisamos de arranjar um partido para você. Você vem?
Gargalhada geral.

