‘Acabou Chorare’: livro revive o lendário disco dos Novos Baianos

    Organizada pela pesquisadora Ana de Oliveira, a obra tem colaborações de Caetano Veloso, Arnaldo Antunes, Xico Sá, Vik Muniz, Bel Borba, entre outros

    Foto: Divulgação

    Quarenta e cinco anos após o lançamento do disco “Acabou Chorare”, segundo álbum dos Novos Baianos, a editora Iyá Omin lança o livro “Acabou Chorare”, idealizado e organizado pela pesquisadora e documentarista Ana de Oliveira. O trabalho reúne uma série de textos e projetos visuais que reinterpretam, recriam ou se inspiram nas composições do LP que, em 2007, foi eleito “o melhor disco brasileiro de todos os tempos” pela revista Rolling Stone Brasil.

    “Acabou Chorare”, o livro, traz textos de Caetano Veloso, Arnaldo Antunes, Xico Sá, Evando Nascimento, Carlos Rennó, Hermano Vianna, Beatriz Azevedo, André Masseno e Fred Góes, enquanto Vik Muniz, Tulipa Ruiz, Opavivará!, Joana César, Alemão, Odyr, Domenico Lancellotti, André Vallias, Bel Borba e Gen Duarte colaboram com as artes visuais que comentam as dez canções da obra original.

    “Acabou Chorare é uma obra colossal, produzida com inventividade e desembaraço em meio às conturbações do ano de 1972 e fruto de uma inusitada experiência coletiva”, ressalta Ana de Oliveira. E completa: “O disco apresenta um repertório precioso de músicas que não demorariam a se transformar em clássicos da MPB e agora se tornam objeto de inspiração para os artistas, compositores e intelectuais que, pela lei natural dos encontros, juntam-se neste livro, convidados a escreverem e a criarem trabalhos visuais a partir do impulso seminal dessas canções”.

    A pesquisadora convidou artistas, escritores, compositores e intelectuais de diferentes vertentes para compor a obra, que inclui poema, crônica, prosa poética, análise comparativa, conto, pintura, desenho, grafite, colagem e arte digital. Tal pluralidade um tanto caótica acaba por representar a insólita experiência coletiva dos Novos Baianos e a época do lançamento do disco.

    “Nesse contexto de contradições, impasses e pirações, os Novos Baianos formavam uma das mais belas e autênticas simbioses da música com a vida”, diz ela. “De pós-tropicalistas, cabeludos e desbundados, eles passaram a artistas de grande luminosidade na constelação musical da época, com uma proposta modernizadora em termos sonoros, artísticos, poéticos e comportamentais. Em uma conjuntura repressora como a do Brasil naquele momento, tornaram-se símbolo, mais do que de resistência, de afirmação da própria existência”, conclui.

    O projeto gráfico do livro é de André Vallias, e se inspira nas publicações alternativas das décadas de 1970 e 1980. “Há nele um quê de almanaque udigrudi, confluindo para a cultura digital dos anos seguintes e a recente valorização dos processos artesanais”, comenta o artista.