OPINIÃO: Pesquisa mostra claramente quem está com quem para 2026
Neto é preferido entre mais ricos, jovens, mulheres e evangélicos; o governador é escolhido por mais pobres, mais velhos, homens e católicos

A nova pesquisa Genial/Quaest sobre o cenário político da Bahia não surpreende muito. O governador Jerônimo Rodrigues (PT) aparece com grande avaliação, com 59% do eleitorado aprovando a sua gestão. Por outro lado, é seu principal adversário, o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), quem lidera as intenções de voto para 2026, com 41%, contra 34% do petista.
O levantamento da Quaest não detalhou, mas certamente a avaliação positiva de Jerônimo é puxada pelo interior do estado, enquanto a liderança de Neto na disputa é sustentada por seu recall de ex-prefeito em Salvador.
Mas não são apenas essas as diferenças entre os eleitorados de Jerônimo e Neto. Eles também se dividem por renda, escolaridade, gênero, faixa etária e religião. E esses cenários o instituto de pesquisa trouxe.
O que mais surpreende é o recorte de gênero. ACM Neto aparece com ampla vantagem entre as mulheres (44% a 29%), mas perde para Jerônimo dentro da margem de erro entre os homens (40% a 37%).
Essa diferença, confesso, tenho dificuldade para justificar. Os gargalos da gestão estadual são, destacadamente, a violência e a fila da regulação. Seriam Segurança Pública e Saúde dois temas de preocupação claramente feminina? Não me parece claro.
Nos demais recortes, as explicações são mais plausíveis. Neto “goleia” entre os mais jovens, de 16 a 30 anos, com um 44% a 24%. Entre os adultos de 31 a 50 anos, o oposicionista também vence, com 45% a 33%. Jerônimo, por outro lado, dá a volta por cima entre os mais velhos: 44% a 33% para o petista entre quem tem a partir de 51 anos de idade.
A vantagem de ACM Neto entre os mais jovens pode ser facilmente associada à boa relação que o oposicionista tem criado com as redes sociais desde 2012, quando venceu pela primeira vez a eleição municipal em Salvador. Essa é uma marca tão forte nele que seus adversários já chegaram a chamá-lo pejorativamente de “blogueiro”. Jerônimo, por outro lado, ainda patina nesse universo.
Os outros recortes sociais dialogam muito com o cenário nacional. O Partido dos Trabalhadores, de Jerônimo, há alguns anos, conta com grande rejeição dos mais ricos do país e também dos evangélicos. Por outro lado, a legenda conta com ampla simpatia dos mais pobres e foi fundada por integrantes das comunidades eclesiais de base da Igreja Católica. Isso está refletido na pesquisa.
ACM Neto vence entre quem ganha mais de 5 salários mínimos (41% a 23%); entre quem ganha de 2 a 5 salários mínimos (43% a 30%); entre quem tem ensino superior (43% a 32%); entre quem tem ensino médio (44% a 29%); e entre os evangélicos (46% a 24%).
Jerônimo, por outro lado, impõe vantagem entre quem ganha até 2 salários mínimos (40% a 38%); quem tem até o ensino fundamental (41% a 36%); e entre os católicos (43% a 40%).
Todo esse contexto sinalizado pela Quaest aponta para mais uma eleição apertada em 2026, que deve ser definida em, no máximo, 6 pontos percentuais de distância. É coisa de detalhe.
A influência da polarização nacional — petismo versus bolsonarismo — deve se repetir e ajudar Jerônimo a crescer na “hora H”, já que o presidente Lula (PT) varia de 63% a 66% das intenções de voto na Bahia, segundo a mesma pesquisa. Para ACM Neto, o caminho para superar isso é enfrentar. Fugir dessa realidade já não deu certo em 2022.
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