OPINIÃO: Cacau da Bahia – Desafios e caminhos para fortalecer a renda do produtor
Artigo do deputado estadual Rosemberg Pinto (PT-BA), líder do governo Jerônimo na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA)

A cacauicultura é uma das atividades mais estratégicas da economia baiana. Além de gerar emprego e renda no campo, o cacau exerce papel fundamental na preservação da Mata Atlântica e projeta a Bahia no mercado internacional de commodities e chocolates de qualidade.
Diante de um cenário global marcado por oscilações e, em determinados períodos, pela queda dos preços, torna-se indispensável aprimorar políticas públicas e fortalecer, de forma integrada, toda a cadeia produtiva do cacau, com o uso dos tratos culturais, por exemplo, que desempenham um papel crucial no aumento da produtividade da lavoura, produzindo muitos mais do que 20 arrobas por hectare, sem aumentar os custos.
Um dos pontos centrais do debate atual é a necessidade de atualização dos instrumentos de política agrícola, especialmente aqueles relacionados a preço mínimo e crédito rural. É fundamental avançar no diálogo com o Governo Federal, para que essas ferramentas acompanhem a realidade dos custos de produção e dos riscos enfrentados pelo produtor. A adequação desses instrumentos é decisiva para garantir renda, previsibilidade e permanência do agricultor no campo.
Outro tema relevante diz respeito ao regime de Drawback, mecanismo importante para a competitividade da indústria exportadora. Em momentos específicos do mercado, é possível e necessário discutir ajustes que promovam maior equilíbrio entre os interesses da indústria e a valorização da produção nacional de cacau, evitando impactos negativos sobre o produtor.
O crédito para estocagem também se apresenta como uma alternativa estratégica. Ao ampliar o acesso a esse tipo de financiamento, o produtor ganha condições de não vender sua safra no pior momento do mercado, contribuindo para uma maior estabilidade de preços e para a redução da vulnerabilidade econômica no campo.
A aposta na qualidade, na origem e no valor agregado é outro caminho essencial. O cacau fermentado, com certificação de origem e inserido em cadeias de maior valor, tende a manter prêmios mesmo em cenários adversos. Investimentos em pós-colheita, Indicações Geográficas (IGs) e agroindustrialização significam mais desenvolvimento regional, geração de renda e fortalecimento da identidade do cacau baiano.
Nesse contexto, o sistema cabruca merece destaque especial. Patrimônio ambiental e produtivo do estado, ele alia produção agrícola à conservação da Mata Atlântica. Políticas de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) e iniciativas ligadas ao mercado de créditos de carbono podem ampliar a renda do produtor, ao mesmo tempo em que reforçam o compromisso com a sustentabilidade.
O fortalecimento da cacauicultura baiana passa, necessariamente, pela articulação entre o Governo do Estado, o Governo Federal, produtores, cooperativas e a indústria. É por meio desse diálogo permanente que será possível construir soluções duradouras.
Ao lado do governador Jerônimo Rodrigues, seguiremos contribuindo para esse debate, com o objetivo de assegurar que o cacau da Bahia continue forte, sustentável e capaz de gerar oportunidades para quem produz e para todo o estado.
*Rosemberg Pinto é deputado estadual e líder do governo Jerônimo na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA)
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