OPINIÃO: Vimos a história sendo feita, nas ruas e nas redes

    Eleição é feita de pessoas, não de planilhas, e o Brasil é grande demais para que alguém engula

    Foto: Thassio Ramos

    A histórica virada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste domingo (25) é uma coisa que o mundo todo deve estar tentando calcular. Mas, quem ficar preso às planilhas das pesquisas vai incorrer no mesmo erro que os analistas brasileiros cometeram.

    Eleição é feita por pessoas, não por números. Quem olhava os dados do primeiro turno não conseguia enxergar saída para Lula no segundo turno. Mas a população brasileira se movimentou fortemente: primeiro, para impedir o retorno do bolsonarismo à presidência; depois, para garantir a última dança do maior líder político da história deste país.

    A movimentação de André Janones nas redes sociais foi fundamental. Ele reuniu 10 milhões de pessoas em um grupo de WhatsApp, transformando esses eleitores em seu exército de compartilhamento de conteúdos sobre a campanha lulista. Mensagens em profusão e “explodam”!

    Mas foi igualmente essencial a movimentação nas ruas, conduzida pela imortal militância do Partido dos Trabalhadores, o colosso social-democrata de base popular que é referência para a esquerda de todo o Ocidente. Milhões de pessoas em todo o país ocuparam avenidas para demonstrar apoio a Lula e o receio de perder a democracia.

    Os petistas se movimentaram para converter indecisos, para diminuir a abstenção e para viajar aos seus locais de votação, muitas vezes distante milhares de quilômetros da atual moradia. Esse movimento lotou rodoviárias no país inteiro e aconteceu aqui na Bahia também.

    A vitória é muito desse PT, muitas vezes subestimado diante da grandeza de Lula. Quantas vezes já ouvimos que o presidente é muito maior que o partido? Muitas. Mas não acho que são coisas que possamos separar.

    Tudo isso resultou em um crescimento da votação de Lula em cada canto do país. Sobretudo no Nordeste, onde a mobilização foi gigantesca, visando garantir a manutenção de conquistas. Mas não adianta nos colocar em caixinhas. Não somos exatos. Não cabemos em planilhas. Somos uma nação grande demais para que alguém engula. Quem, como eu, buscou analisar apenas com base em pesquisas, errou. O Brasil é muito mais que isso.

    Agora, Lula e o PT devem se reorganizar para tentar governar. Dialogar para formar maiorias. Talvez buscar o centro, diante de um Congresso Nacional invadido eleitoralmente pela direita. O desafio é enorme, para isolar o bolsonarismo e entregar à população tudo que foi prometido.