Graduada e mestre em Relações Internacionais, com foco em Geopolítica; tem experiência em análises conjunturais para diversos institutos de pesquisa da PUC MINAS, Universidade Federal de Minas Gerais e Universidade de Groningen, na Holanda; já trabalhou na pesquisa e redação de clippings e notícias para a base de dados CoPeSe, parceria com o programa de Voluntariado das Nações Unidas.
Publicado em 13/08/2025 às 06h30.
Xefonofia, antissemitismo e os limites da liberdade de expressão na era da IA
Um olhar para a GrokAI, de Elon Musk
Júlia Cezana

A xAI, empresa de inteligência artificial (IA) fundada por Elon Musk, tem ocupado o centro das atenções nos últimos dias. As recentes polêmicas envolvendo seu chatbot, Grok, surgem em meio a um mundo onde IA vem ganhanndo cada vez mais espaço, assim como um m debate mais amplo sobre seus limites legais e éticos. Antes, porém, de olhar para a trajetória e as polemicas envolvendo a xAI, que desde a sua criação atraiu investimentos de peso no Vale do Silício; e importante olhar para o espaço que as IA’s vem ocupando no cenário global.
IA’s cada vez mais presentes
A OpenAI e a Oracle anunciaram a construção de mais 4,5 gigawatts de capacidade em data centers, reforçando uma parceria bilionária que busca manter os Estados Unidos na liderança da corrida global pela inteligência artificial. A expansão integra o projeto Stargate, que prevê até US$ 500 bilhões em investimentos e 10 gigawatts de capacidade total, com participação também do grupo japonês SoftBank. O primeiro data center de IA do plano está em implantação em Abilene, no Texas.
Assim como sua investidora Microsoft, a OpenAI está entre as gigantes de tecnologia que destinam bilhões de dólares para ampliar a infraestrutura capaz de sustentar serviços de IA generativa, como o ChatGPT e o Copilot, que demandam enorme poder computacional.
O crescimento da IA em setores estratégicos, como defesa, e a pressão da China para reduzir a distância tecnológica têm elevado o tema ao topo da agenda do presidente estadunidense Donald Trump, que apresentou o projeto Stargate na Casa Branca em janeiro. Com a nova expansão, a capacidade total do Stargate em desenvolvimento ultrapassará 5 gigawatts, reunindo mais de 2 milhões de chips, segundo a OpenAI. A empresa afirma que a meta agora é superar o compromisso inicial de investimentos.
Como resposta a esse crescimento, Elon Musk desdenhou do grupo em janeiro de 2025, afirmando que, “eles na verdade não têm o dinheiro”. Musk, que saiu da OpenAI (dona do Chat GtPT), por conta de conflitos seu fundador Sam Altman, recrutou especialistas importantes no mercado de tecnologia e fundou a xAI.
A xAI
De acordo com o próprio Elon Musk, a xAI é uma inteligência artificial generativa que não é pautada pelo “politicamente correto” e é tida como uma alternativa aos modelos tradicionais de inteligência artificial que existem no mercado. Apelidada por ele mesmo de Truth GPT, foi criada com objetivo de defender uma liberdade de expressão irrestrita.
A xAI tem sido acusada de diversos comportamentos problematicos: podução de conteudo antissemita, elogios à Adolf Hitler, revisionismo históric ,ameaças violentas a ativistas politicos, descrições gráficas de si mesmo estuprando um ativista de direitos civis e uso de linguagem ofensiva. No dia de ontem (11), a Grok foi banida pelo X (antigo Twitter – também pertencente a Musk), após a IA dizer que Israel, com apoio dos EUA, comete genocídio na Faixa de Gaza – decisão esta que foi logo revertida pelo X: “Fui suspenso brevemente hoje por citar evidências de genocídio em Gaza por Israel, com base em relatórios da ICJ, ONU e Amnesty. Mas já estou de volta, graças à revisão da xAI. Fatos podem ser polêmicos!” afirmou a xAI em um tweet.
Para além das polemicas supracitadas, IA em questão possui uma versão Spicy, a qual possui o polêmico recurso de geração de imagens e vídeos de celebridades (como a cantora Taylor Swift) em situação de nudez. Como resposta à produção de conteúdo supracitado, o chatbot da Grok, que é integrado ao X, utilizou a rede social para pedir desculpas pelo que vinha sendo produzido. Também no X, Musk escreveu que o “Grok foi complacente demais com os comandos dos usuários. Basicamente, estava muito ansioso para agradar e ser manipulado. Isso está sendo corrigido.”
Apesar do pedido de desculpas e do que a AI se propõe, ela aparenta estar ocupando mais espaço. No dia 14 de Julho, a xAI e o Governo dos Estados Unidos firmaram um contrato. Em uma publicação no X, a empresa anunciou o “Grok for Government”, que descreveu como um conjunto de produtos voltados para clientes do governo dos EUA. Também revelou duas novas parcerias governamentais: um novo contrato com o Departamento de Defesa e a disponibilidade da ferramenta para compra por meio da da Administração de Serviços Gerais (GSA).
Em contrapartida, um tribunal turco bloqueou o acesso ao Grok depois que ele gerou respostas que, segundo as autoridades, continham insultos ao presidente Tayyip Erdogan. Já autoridades polonesas denunciaram a xAI à Comissão Europeia, alegando que o Grok fez comentários ofensivos sobre políticos poloneses, incluindo o primeiro-ministro Donald Tusk.
Nos dias atuais, enquanto países competem para liderar o desenvolvimento da IA, questões como segurança, poder e cooperação internacional são postas em jogo. Especialistas e governos debatem como garantir que a IA seja desenvolvida e usada de forma responsável, justa e segura, levantando um debate mais do que necessário sobre liberdade de expressão.. Enquanto isso, para nós, usuários, é importante reafirmar que IA ‘s são falhas e muito suscetíveis à manipulação. Cometem erros básicos e são altamente enviesadas. Portanto, o que é produzido não deve ser visto como verdade e sempre questionado.
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