O Carnaval de 2026 deve movimentar mais de R$ 2 bilhões na economia baiana. As projeções são do secretário do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte da Bahia (Setre), Augusto Vasconcelos. O otimismo é sustentado pelos índices de ocupação hoteleira, que já superam os registros do ano anterior, e pelo aquecimento gerado pelas festas populares que antecederam o período oficial, como a Lavagem do Bonfim.
Embora os holofotes estejam na capital, Vasconcelos ressaltou que o impacto do Carnaval se estende a mais de 150 municípios baianos. O secretário citou o exemplo de Juazeiro, onde as iniciativas de atração de investimentos e as festas regionais já apresentam resultados positivos na geração de empregos.
”Tenho confiança de que as ações deste ano serão as mais abrangentes da história. Estamos avançando na promoção do trabalho decente e na valorização do Carnaval como uma ferramenta de inclusão e renda”, afirmou o titular da Setre, em conversa com o bahia.ba, nesta quarta-feira (4).
Apoio aos trabalhadores
Contudo, para além das cifras bilionárias, a gestão estadual quer que o Carnaval de 2026 seja lembrado como o “Carnaval do trabalho decente”. Vasconcelos anunciou que Salvador será a primeira capital do Brasil a assinar o pacto do trabalho decente na folia momesca, uma iniciativa que visa humanizar a atuação de milhares de trabalhadores que operam nos bastidores da festa, como cordeiros, catadores de recicláveis, ambulantes e músicos.
”Promoveremos a maior ação em favor do trabalho decente da história do evento no Brasil. O objetivo da gestão do governador Jerônimo é garantir um Carnaval que respeite os direitos de todas as pessoas, com ações abrangentes antes, durante e após a festa”, afirmou o secretário.
Para converter o discurso em prática, a Setre montou uma logística de suporte sem precedentes. Pela primeira vez, serão instaladas centrais de alimentação e espaços de descanso exclusivos para os trabalhadores. Um detalhe tecnológico importante é a criação de pontos de carga, permitindo que ambulantes mantenham seus celulares carregados para realizar vendas via maquininhas e aplicativos, garantindo a fluidez do faturamento.
Combate ao trabalho infantil
Um dos pontos mais sensíveis abordados por Augusto Vasconcelos foi a exposição das desigualdades sociais durante a folia. O secretário foi enfático ao classificar como “inaceitável” a presença de crianças dormindo sobre isopores nos circuitos, cena comum em anos anteriores devido à falta de locais seguros para os filhos dos ambulantes.
”Essa realidade precisa mudar. Em colaboração com o Ministério do Trabalho, a prefeitura e o Ministério Público do Trabalho, estamos trabalhando para garantir locais seguros e combater o trabalho infantil”, explicou Vasconcelos.
A ação conjunta visa fiscalizar e oferecer alternativas de acolhimento para que os pais possam trabalhar sem vulnerabilizar suas crianças.

