Estado já registra 1.991 denúncias de violência contra menor neste ano

    De acordo com a Associação dos Magistrados (Amab), mais de 90% dos casos ocorrem na moradia das vítimas

    Foto: divulgação/Amab

    Somente nos cinco primeiros meses de 2021, 1.991 denúncias de violência contra a criança e o adolescente foram registrados na Bahia. O levantamento é do Painel de Dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos. A Associação dos Magistrados da Bahia (Amab) destaca que em mais de 90% dos casos a violação ocorre na moradia das vítimas. Em todo o país, houve 39,8 mil denúncias entre janeiro e maio deste ano, recebidas pelo Disque 100 e ao Ligue 180. Em 2020, aconteceram 95, 2 mil casos – 4,4 mil deles registradas na Bahia.

    Segundo a juíza Sandra Magali Brito Silva Mendonça (foto), da Vara da Infância e da Juventude de Ilhéus, as violações abrangem famílias de todas as classes sociais. Na cidade da Costa do Cacau a maioria das denúncias tem relação com violência sexual. Para a magistrada, pessoas que hoje são violentas no meio social muitas vezes foram vítimas e  receberam orientação de que as coisas podem ser resolvidas através da agressão.

    O juiz Arnaldo José Lemos de Souza, da 1ª Vara dos Feitos Relativos aos Crimes Praticados contra Criança e Adolescente de Salvador, concorda que a violência contra o segmento infanto-juvenil ainda é um reflexo cultural. “Entendo que é necessário ser feito um trabalho sobretudo nas escolas de educação sexual, para que as crianças e adolescentes tenham uma melhor percepção do que é a violência, já que muitas não entendem por exemplo a diferença entre um toque de carinho e um toque de cunho sexual”, afirmou.

    A presidente da Associação dos Magistrados da Bahia, juíza Nartir Weber, entende que todas as pessoas que tenham conhecimento de violência praticada contra criança e adolescente devem denunciar, quer através do disque 100 ou de qualquer outro ator da rede de proteção. É possível suspeitar a violência ainda por meio dos sinais, físicos ou não, pelo olhar e escuta atenta, já que a criança ou adolescente pode se mostrar introvertida, com medo ou com alterações no comportamento, orienta a magistrada.