Estudantes baianas criam pomada com casca de banana para tratar feridas

    Projeto nasceu em escola pública do interior e tem foco em saúde e sustentabilidade

    Foto: Divulgação / Secti

    Uma dor comum nos primeiros dias da amamentação virou ponto de partida para um projeto científico no interior da Bahia. As estudantes Bianca Oliveira e Isabella Marinho, do Colégio Estadual de Tempo Integral Castro Alves, em Ipupiara, criaram uma pomada cicatrizante à base da casca da banana, voltada principalmente para o tratamento de feridas na região da mama.

    A pesquisa foi desenvolvida sob orientação da professora Paula Novais e resultou no produto batizado de Banawound, apresentado no Encontro Estudantil da Rede Estadual de Educação. Além de fissuras mamárias, a formulação também demonstrou potencial para auxiliar em coceiras e outros tipos de lesões cutâneas.

    Bianca explica que a ideia surgiu após estudos sobre as propriedades do alimento.

    “Em pesquisas iniciais, identificamos que a casca da banana possui compostos com potencial cicatrizante, antimicrobiano e anti-inflamatório. A partir disso, pensamos em desenvolver uma pomada natural que pudesse auxiliar no tratamento de feridas, especialmente na região da mama, unindo ciência, sustentabilidade e saúde”.

    Para Isabella, o diferencial do projeto está no reaproveitamento de um material que normalmente seria descartado.

    “O principal diferencial é o uso de um material natural e de baixo custo. O projeto valoriza a sustentabilidade, o reaproveitamento de resíduos orgânicos e a produção de uma alternativa acessível, especialmente para comunidades com menos recursos”.

    A professora Paula Novais ressalta o impacto pedagógico da iniciativa.

    “Inserir jovens na educação científica e empreendedora é fundamental para desenvolver o pensamento crítico, a criatividade e a autonomia. Projetos como esse incentivam os estudantes a enxergarem problemas reais e buscarem soluções inovadoras”.

    Com os primeiros resultados positivos, a equipe já planeja os próximos passos. O grupo pretende aprofundar os estudos, avaliar estabilidade e conservação do produto e ampliar a divulgação científica, com a meta futura de registro de patente e possível aplicação comercial.