Jornalista com experiência em cidades, política, entretenimento e comunicação digital. Atuou no iG, além de passagem pela Approach Comunicação, com foco em conteúdo de negócios, tecnologia e investimentos. Foi coordenador de comunicação na SECIS/Prefeitura de Salvador e assessor parlamentar, liderando equipes e estratégias de conteúdo. Atualmente, é repórter no portal Bahia.ba e Portal Esfera.
Publicado em 23/07/2026 às 20h39.
Hospital Roberto Santos mantém empresa após intoxicação de servidores
Hospital diz ao Bahia.ba que reforçou fiscalização da LBGS, mas não prevê troca da empresa
Marcos Flávio Nascimento

Mesmo após o episódio em que profissionais de saúde passaram mal depois de consumir refeições no refeitório, o Hospital Geral Roberto Santos (HGRS) informou, com exclusividade ao Bahia.ba, que não pretende romper o contrato com a LBGS – Líder Brasileira Grupos e Serviços, empresa responsável pelo fornecimento da alimentação na unidade.
O caso ganhou repercussão após servidores relatarem sintomas como náuseas, diarreia, dores abdominais e mal-estar depois de consumirem alimentos servidos no hospital. Embora oficialmente 13 profissionais tenham sido notificados, uma funcionária ouvida pela reportagem afirmou que o número de pessoas afetadas teria sido significativamente maior.
“Notificados foram uns 13, mas que passaram mal de verdade foi bem mais. Uns 20 para mais”, relatou a servidora, que pediu para não ser identificada.
Outro relato obtido pela reportagem descreve suspeitas sobre a qualidade dos alimentos servidos no hospital. A funcionária contou que chegou a encontrar leite aparentemente talhado durante o café da manhã e passou cerca de três dias com fortes sintomas gastrointestinais.
Hospital reforça fiscalização, mas mantém empresa
Questionado pelo Bahia.ba, o Hospital Geral Roberto Santos afirmou que, após o episódio, optou por intensificar a fiscalização, mas não anunciou qualquer medida para substituir a empresa responsável pelo serviço.
Segundo a direção da unidade, equipes da Vigilância Sanitária realizaram inspeções em todas as etapas da operação, desde o recebimento dos alimentos até a distribuição das refeições.
“Após o episódio, o hospital intensificou as ações de fiscalização. Equipes da Vigilância Sanitária realizaram inspeções em todas as etapas do fluxo operacional, desde o recebimento dos insumos até a distribuição dos alimentos, sem identificar irregularidades ou não conformidades nos procedimentos adotados pela unidade”, informou.
O hospital também confirmou que o contrato com a LBGS segue em vigor e que o acompanhamento da prestação do serviço foi reforçado.
De acordo com a resposta enviada à reportagem, o fiscal do contrato passou a realizar vistorias regulares em todas as fases da produção e distribuição das refeições, verificando o cumprimento das normas sanitárias, das boas práticas de manipulação dos alimentos e das obrigações previstas contratualmente.
Direção promete reuniões semanais após denúncias
Em relação aos servidores que apresentaram sintomas, o Hospital Roberto Santos afirmou que todos receberam atendimento médico imediato e acompanhamento da equipe assistencial durante a investigação do caso.
Apesar das reclamações recorrentes sobre a qualidade da alimentação, a unidade informou que não instaurou uma apuração administrativa específica nem mencionou qualquer possibilidade de revisão do contrato firmado com a empresa.
Como medida adotada após a repercussão, a direção afirmou que instituiu reuniões semanais com representantes da LBGS, com o objetivo de acompanhar continuamente a execução do serviço.
“O hospital reforçou os procedimentos de fiscalização e monitoramento da execução do contrato, intensificando as inspeções e instituindo reuniões semanais entre a empresa responsável pela alimentação e a diretoria da unidade para acompanhamento contínuo do serviço, avaliação de eventuais ocorrências e implementação de medidas de melhoria, quando necessárias”, informou.
As declarações contrastam com os relatos de servidores ouvidos pelo Bahia.ba, que sustentam que os problemas envolvendo a alimentação vão além do episódio investigado e denunciam uma suposta queda na qualidade das refeições oferecidas diariamente aos trabalhadores do maior hospital público da Bahia.
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