Jovens talentos da ciência, arte e inovação foram os grandes protagonistas do II Festival SESI de Ciência, Tecnologia e Inovação (CTI), promovido no último fim de semana pelo Serviço Social da Indústria (SESI) da Bahia, com apoio do Conselho Nacional do SESI e do Departamento Nacional do SESI.
O evento reuniu um público de 2.767 visitantes e 803 estudantes competidores da educação básica, oriundos de 11 estados do Brasil, que se destacaram em competições de robótica, cubo mágico e projetos de iniciação científica. As premiações incluíram troféus, medalhas, notebooks, tablets, vagas em etapas nacionais e credenciamentos para a principal feira brasileira de ciências, a FEBRACE (Feira Brasileira de Ciências e Engenharia).
Além de celebrar o potencial científico na Bahia, o festival evidenciou que há muitos jovens fazendo coisas extraordinárias “fora das telas”, mostrando que a tecnologia, quando bem aplicada, pode ser uma aliada — e não um obstáculo — na formação dos futuros profissionais do país. Das 98 escolas participantes, 40 eram públicas, 34 da rede SESI e 24 privadas, reforçando a crescente representatividade da rede pública no evento.
Para a superintendente executiva de Educação e Cultura do SESI Bahia, Cléssia Lobo, o festival fortalece o protagonismo juvenil, reafirmando a diversidade e a inclusão como valores primordiais do SESI. “A segunda edição mostra que esse é o caminho: fomentar a ciência e a tecnologia para a juventude, em um espaço democrático e de interação. A educação básica só precisa dessa oportunidade de trazer um currículo mais vivo e dinâmico, mostrando que a educação pode ser prazerosa, divertida e colaborativa”, avalia.
Educação conectada
O presidente do Conselho Nacional do SESI, Fausto Augusto Júnior, destacou o Festival SESI como um espaço central para a valorização da ciência e para a apresentação das principais experiências educacionais desenvolvidas pela instituição. Segundo ele, a Bahia se destaca nacionalmente pela integração entre SESI, SENAI e CIMATEC, reunindo escola, produção de conhecimento, pesquisa e demandas do setor produtivo. “Essa articulação expressa o que acreditamos: a conexão entre o mundo educacional e o mundo da produção científica e tecnológica”, afirmou.
Para o presidente, o evento também cumpre o papel de consolidar a abordagem STEAM, que integra ciência, tecnologia, engenharia, artes e matemática como eixo estruturante da formação, aproximando a educação dos desafios reais da sociedade e inspirando ações semelhantes em outros estados.
Rumo ao nacional
Para além da programação e do design dos robôs, os competidores da robótica provaram ser verdadeiras famílias, unidas do início ao fim. Com camisas coloridas, chapéus e acessórios que identificavam cada equipe, as 56 equipes, vindas de cidades da Bahia e de Sergipe, receberam os resultados do Torneio Regional da FIRST LEGO League (FLL) com gritos ansiosos, abraços calorosos e lágrimas de emoção.
Com o tema “UNEARTHED”, a temporada de 2025 do FLL teve como foco a arqueologia e desafiou estudantes de 9 a 15 anos a desenvolver soluções criativas e tecnológicas para problemas enfrentados por arqueólogos. Além dos projetos de inovação apresentados aos avaliadores, as equipes competiram frente a frente nas mesas de robótica, onde robôs construídos do zero precisavam cumprir uma série de missões. Ao fim das disputas, o festival consagrou as equipes Chronos (SESI Itapagipe, Salvador/BA) e RoboCOE (Coesi, Aracaju/SE) como vencedoras do Champion’s Award.
Na etapa nacional, que acontece em março de 2026, em São Paulo, as equipes vencedoras terão a companhia das classificadas em 2º lugar: RoboLife (Centro Integrado de Atividades SESI SENAI, Candeias/BA) e Black Gold (Equipe de Garagem); e em 3º lugar: Gênius (SESI Candeias/BA) e Carcará (Colégio São Paulo, Salvador/BA).
Após conversas com arqueólogos, visitas ao IPHAN e a empresas de arqueologia, a equipe Chronos chegou à criação da ArqBox, uma caixa estabilizadora que auxilia no transporte de artefatos de sítios arqueológicos até laboratórios. Para a integrante Ester Santos, de 15 anos, a conquista representa o reconhecimento de um ano inteiro de treino e dedicação. “Foi um processo demorado, porém leve. Todos fizeram amizade e pudemos nos divertir bastante juntos. Somos uma família, tanto dentro quanto fora da escola”, comenta.
Este será o 10º Torneio Nacional consecutivo que Rian Gabriel dos Santos acompanhará como técnico da equipe RoboCOE, de Sergipe. “O que eu sempre falo para eles é que não é só sobre prêmios, é sobre pessoas. Se hoje eles estão indo para o nacional, é porque primeiro foram pessoas e alunos dedicados, que batalharam e desfrutaram dessa conquista incrível”, afirma.
Velozes e tecnológicos
Outra premiação emocionante do II Festival SESI CTI foi a seletiva da STEM Racing, que incentiva estudantes de 9 a 19 anos a criar uma empresa júnior, modelar uma réplica de carro de Fórmula 1, administrar uma escuderia e captar patrocinadores para competir em uma pista de corrida em miniatura. As equipes vencedoras foram as escuderias soteropolitanas Pegasus, da Escola SESI Djalma Pessoa, e Seven, da Escola SESI Reitor Miguel Calmon, classificadas em 1º e 2º lugar, respectivamente, para a etapa nacional em março de 2026, em São Paulo.
Agora bicampeã regional, a Pegasus foi novamente liderada por Maria Júlia Silva de Jesus, gestora de projetos e finanças da escuderia. Para a estudante, de 17 anos, a STEM Racing proporciona uma nova visão de futuro, com ensinamentos sobre funcionamento de empresas, resiliência, responsabilidade e confiança.
“É a confirmação de que todos os dias longos de trabalho, os erros e os recomeços valeram a pena. Voltar ao nacional não é apenas chegar lá, é provar que construímos um trabalho sólido e consistente. Cada integrante deixou sua marca para que esse resultado fosse possível”, comemora Maria Júlia.
Jovens cientistas baianos no topo
A II Feira Internacional de Iniciação Científica (FENIC) reuniu 150 projetos e concedeu 42 prêmios, distribuídos em 19 categorias. Com a participação de jovens da educação básica e do ensino técnico do Brasil e do Paraguai, o grande vencedor geral foi o projeto “Arecê: perfume sólido natural”, desenvolvido por estudantes da Escola SESI Milton Santos, de Camaçari (BA). A iniciativa é assinada por Beatriz Silva da Rocha Pita Mota, Gabriela dos Santos Salomão e Guilherme Mascarenhas de Andrade, sob orientação de Igor Felipe Lima.
Os integrantes ganharam credencial para participar da 24ª edição da FEBRACE, em março de 2026. A proposta desenvolve um perfume sólido natural que atua como repelente contra o Aedes aegypti e arboviroses como dengue, zika e chikungunya, além de resgatar saberes tradicionais ao utilizar a copaíba, planta nativa brasileira historicamente empregada por povos originários com fins medicinais e preventivos.
“Para a gente, isso representa um marco. A vivência na iniciação científica impacta diretamente a continuidade da minha carreira, inclusive no ramo comercial e de marketing. Além disso, o contato com a FEBRACE, o SESI e outras iniciativas nos coloca em um patamar muito valorizado, especialmente considerando que a Escola SESI Milton Santos tem menos de três anos de existência e já conquistou o primeiro lugar em uma feira internacional”, destacou Guilherme Mascarenhas, de 18 anos.
Nova política de iniciação científica
Durante a cerimônia de encerramento da FENIC, o superintendente de Educação Básica do SESI Nacional, Wisley Pereira, anunciou o lançamento da Política Nacional de Iniciação Científica do SESI, inspirada na experiência desenvolvida pelo SESI Bahia. Entre as ações previstas estão a formação continuada de professores, investimentos nas unidades escolares para criação de clubes de ciência, financiamento institucional e a criação de uma revista científica voltada à valorização da produção de estudantes e docentes.
Ele anunciou ainda que a Bahia sediará, em 2027, o Festival Nacional de Educação do SESI, tradicionalmente realizado em São Paulo e Brasília, reforçando o protagonismo do Nordeste na inovação educacional e na popularização da ciência e da robótica. “A Bahia e Salvador são exemplos no processo de inovação educacional. Trazer o festival nacional para o Nordeste é emblemático. É a popularização da ciência e da robótica. É o maior festival de robótica da América Latina e certamente beneficiará Salvador, com a vinda de mais de 2.400 competidores”, afirmou.

