Médico baiano alvo da PF acusa gigante farmacêutica: ‘Não vou cair’

    Gabriel Almeida nega envolvimento em esquema de produção ilegal de Mounjaro

    Foto: Reprodução/Redes Sociais @drgabrielalmeida

    Um dia após ser alvo da Operação Slim, o cirurgião-geral Gabriel Almeida reapareceu nas redes sociais para rebater as acusações de participação em um esquema clandestino de fabricação do medicamento Mounjaro.

    O médico, que reúne quase 750 mil seguidores no Instagram, publicou vídeos nesta sexta-feira (28) afirmando possuir provas de que a manipulação da tirzepatida, princípio ativo do remédio, é legal no país.

    “O dia hoje promete, assim como todos os outros que virão, apesar da atrocidade cometida ontem”, declarou. 

    Na sequência, Almeida apontou a empresa Eli Lilly, detentora da patente do Mounjaro, como responsável pela denúncia que desencadeou a investigação. Segundo ele, a farmacêutica teria se incomodado com seu trabalho de ensino.

    “Essa empresa grande se incomodou porque hoje eu tenho mais de 8 mil alunos. Eu ensino eles a prescreverem tirzepatida no consultório, de forma legal, e por um preço menor do que o da farmácia. Quando isso acontece, o gigante vem atrás. Mas calma, eu não vou cair. Posso cair dez vezes, levanto onze”, disse o médico.

     

    Operação Slim

    Na quinta-feira (27), agentes da Polícia Federal cumpriram 24 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco. A ação mirou clínicas, laboratórios e residências ligadas aos investigados e buscou desarticular uma rede acusada de produzir, fracionar e comercializar tirzepatida de forma clandestina.

    Os investigadores apontam que o grupo mantinha estrutura de produção em condições inadequadas, com envase, rotulagem e distribuição sem autorização. Há indícios, segundo a PF, de fabricação em escala industrial, algo proibido no âmbito da manipulação magistral.

    A defesa de Gabriel Almeida nega qualquer irregularidade. Em nota, afirmou que o médico não fabrica, manipula ou rotula medicamentos e classificou as acusações como “tecnicamente impossíveis”, sustentando que sua atuação se limita à medicina clínica e à docência.