MP sugere preconceito contra homens em instituição e exige mudança

    Determinação do Ministério Público é em resposta a denúncias de que o Instituto Baiano da Paz estaria praticando discriminação de gênero na seleção de estagiários

    Foto: Manu Dias/GOVBA

    O Ministério Público do Estado da Bahia (MPE) recomendou, nesta sexta-feira (3), à organização não governamental Instituto Baiano de Paz, que não atue de forma discriminatória e contrate estagiários homens para integrar a equipe de serviço social. Criada em 2009, a ONG atende a jovens e adolescentes em situação de vulnerabilidade.

    De acordo com a orientação, expedida pela promotora de Justiça Lívia Vaz, o hábito de “contratar apenas mulheres para trabalhar no instituto” deve ser suprimido e estagiários do sexo masculino precisam ser contratados de três em três meses – ato que deve ser comprovado ao MPE.

    A determinação é em resposta a denúncias do Grupo de Atuação Especial de Proteção dos Direitos Humanos e Combate à Discriminação (Gedhdis), as quais apontavam para “discriminação de gênero na seleção de estagiários do curso de serviço social no instituto”.

    Em nota enviada ao bahia.ba, o Instituto esclareceu que “preza por equidade de gêneros, credo e raça desprezando qualquer tipo de exclusão e preconceito”. Além disso, salientou que a recomendação será acatada, porém somente quem se mostre devidamente qualificado e capacitado para as funções laborais desenvolvidas poderá preencher o cargo.

    A promotora responsável pela ação foi contatada, mas não retornou até o fechamento da reportagem.

    Salários e mercado – As mulheres ganham, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), 77% do salário que os homens recebem para executar o mesmo tipo de função. A instituição estima ainda que a paridade salarial entre gêneros vai levar mais de 70 anos para ser alcançada.

    No mercado de trabalho, as mulheres garantiram mais espaço no Brasil, contudo, ainda segundo a OIT, apenas 2% das corporações brasileiras de capital aberto são presididas por profissionais do sexo feminino.