Durante entrega de maquinário e ambulâncias para municípios baianos, na manhã desta segunda-feira (14), o secretário estadual da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri), João Carlos Oliveira, fez um balanço das políticas voltadas para o setor e criticou o chamado “PL do veneno”, aprovado recentemente na Câmara dos Deputados.
“De janeiro até hoje nós compramos 60 máquinas pesadas. Ou seja, trator de esteira, motoniveladora, rolos compactadores, que foram colocadas à disposição dos consórcios, sobretudo nessa reunião onde ocorreu o maior índice pluviométrico, pra recuperar as estradas e proporcionar o escoamento da produção agrícola”, declarou o titular da Seagri ao Bahia.ba. “Além das máquinas, nós estamos aqui colocando à disposição dos agricultores familiares, só da Seagri, 13 tratores agrícolas com implemento, pra que possa melhorar os índices de produção e produtividade”, acrescentou.
Na ocasião, Oliveira comentou ainda o Projeto de Lei (PL) nº 6299/2002, que prevê a legalização da produção de agrotóxicos genéricos no Brasil, além de flexibilizar os critérios de controle e autorização desses produtos.
“Isso é um absurdo, nos últimos três anos foram liberados mais de mil produtos agrotóxicos, inclusive agrotóxicos que já foram banidos em outros países, na Europa, tal. E o Brasil nós entendemos que tem que primar sobretudo a questão socioambiental”, defendeu o secretário, segundo o qual o mercado internacional hoje não está interessado apenas na produtividade, mas na qualidade dos produtos.
“Aumento de produção e produtividade é importante, mas os nossos produtos têm que ter um apelo ambiental muito forte, e essa liberação dos agrotóxicos não beneficia essa imagem dos nossos produtos”, avaliou João Carlos Oliveira, que anunciou para os próximos meses iniciativas para medir a qualidade dos produtos comercializados na Bahia.
“Nós da Seagri acabamos de aprovar um convênio com o Ministério de Ciências e Tecnologia, e que vamos ter na Central de Laboratórios da Agropecuária (Cetab) o laboratório de solos, com capacidade para fazer 6 mil amostras por mês; laboratório de sementes; laboratório de água e um laboratório – que esse é o meu sonho – de análise de resíduos de agrotóxicos. Então, dentro de dois, três meses, nós estamos coletando esse material nas feiras livres, nos mercados, supermercados e vamos analisar pra que a gente possa ter a certeza de que aquele alimento que nós estamos consumindo não está impregnado de agrotóxicos”, explicou.

