‘Vamos apurar’, diz secretário sobre empresário agredido em agência da Caixa

    Crispim foi agredido por policiais; ele acusa a Caixa Econômica de racismo

    Foto: Matheus Morais/ bahia.ba

    O secretário de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), Maurício Barbosa, disse ao bahia.ba, na manhã desta terça-feira (26), que a polícia vai investigar o caso do empresário Crispim Terral, 34 anos. O empreendedor foi agredido por PMs ao ser retirado de uma agência da Caixa Econômica Federal, no Relógio de São Pedro, em Salvador [veja vídeo]. Ele acusa o banco de racismo.

    “Eu estou ciente da denúncia e do vídeo. Nós vamos apurar o que aconteceu para tomar as devidas providências”, afirmou Barbosa.

     

    Entenda a situação

    O caso de Crispim veio à tona na segunda-feira (25), quando o empresário publicou um vídeo e um texto nas redes sociais, acusando a Caixa de racismo. Na publicação, ele diz que foi até o banco oito vezes para solicitar um comprovante de pagamento de dois cheques.

    Crispim conta que, ao chegar na agência, foi tratado com “indiferença” e que precisou esperar quatro horas para ser atendido.

    “O Mauro, gerente responsável pela minha conta, me atendeu de forma indiferente e me deixou esperando por quatro horas e quarenta e sete minutos. Ele foi atender outras pessoas em outra mesa. Indignado com a situação, me dirigi à mesa do gerente João Paulo, que me atendeu com mais indiferença”, escreveu Crispim nas redes sociais.

    O empreendedor ainda diz que foi abordado por outro gerente do banco. “Quando pensei que não poderia piorar, fui surpreendido pelo senhor João Paulo com a seguinte fala “se o senhor não se retirar da minha mesa vou chamar uma guarnição”. Ele chamou a guarnição e dois policiais me pediram, no primeiro momento, para que pudéssemos nos dirigir juntamente com gerente até a delegacia para prestar esclarecimentos […] O problema foi que ao descer ao térreo da agência  João Paulo falou que só iria à Delegacia se os policiais me algemassem, e que ele “não faz acordos com esse tipo de gente”, completou.

    Outro lado

    Sobre o caso, a PM informou que o empresário se recusou a deixar a agência mesmo após o término do expediente.

    Ainda segundo a PM, os policiais relataram que “houve a necessidade de empregar a força proporcional para fazer cumprir a ordem legal exarada”. Veja a nota na íntegra:

    Na tarde da última terça-feira (19), uma guarnição da Polícia Militar do 18º Batalhão foi solicitada por prepostos da agência da Caixa Econômica Federal, localizada no Relógio de São Pedro, em razão de um dos clientes se recusar a deixar a agência mesmo após o término do expediente.

    No local, os policiais militares conversaram com o gerente da agência e ele relatou que o homem estava solicitando um comprovante de transação, que não poderia ser fornecido naquele momento, e solicitou a remoção do cidadão do interior do estabelecimento em razão do encerramento do expediente bancário.

    Os policiais, então, dirigiram-se ao homem e solicitaram que ele acompanhasse a equipe junto com o representante da agência bancária à delegacia, para formalização da ocorrência em razão do impasse gerado pelo conflito de interesses. Os policiais relataram que o cidadão começou a se exaltar e dizer que não sairia da agência sem ter a sua demanda atendida, contrariando a recomendação das autoridades que intervieram no conflito.

    Houve a necessidade de empregar a força proporcional para fazer cumprir a ordem legal exarada, mesmo após diversas tentativas de conduzi-lo sem o emprego da força. Ele não foi algemado. O vídeo divulgado mostra uma condução técnica dos policiais militares na ação e também observa-se uma edição suprimindo parte do ocorrido.

    Ao fim, o cidadão foi conduzido à Central de Flagrantes onde foi autuado por desobediência e resistência. Administrativamente uma sindicância será instaurada pelo 18º BPM para apurar todas as circunstâncias da intervenção policial. É importante ressaltar que, apesar de ser um estabelecimento federal, quando a PM é acionada tem o dever de atender a ocorrência.