Zika na gravidez: HRGS firma parceria de pesquisa com instituto dos EUA

    Conforme o diretor do hospital, Antônio Raimundo Pinto de Almeida, cooperação com instituições são boas para a ciência baiana

    Foto: Divulgação/HGRS

    Recém-chegado dos Estados Unidos, onde visitou a montagem de um laboratório focado no estudo do vírus da zika em grávidas, o diretor do Hospital Geral Roberto Santos (HGRS), Antônio Raimundo Pinto de Almeida, traz novidades de pesquisas desenvolvidas sobre a doença na Universidade de Yale.

    “Tivemos um papel de destaque mundial ao sermos um dos primeiros a descrevermos as lesões da zika congênita e do enfrentamento – desde o começo já acompanhamos 186 casos, com a confirmação de 80 crianças com microcefalia. Isso possibilitou que outras instituições vissem este trabalho que foi destaque em revistas científicas brasileiras”, conta Antônio Raimundo.

    Entre os resultados do trabalho desenvolvido em parceria com a universidade de Yale, nos EUA, e a Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz) está a descoberta do primeiro caso de glaucoma congênito decorrente do zika vírus, que foi publicado na revista Ophthalmology na última terça-feira (29). O projeto prevê ainda o acompanhamento multidisciplinar dos bebês e das mães com orientação jurídica, psicólogos e nutricionistas, por exemplo.

     

    Diretor do Hospital Geral Roberto Santos, Antônio Raimundo Pinto de Almeida, em visita a laboratório nos EUA. Foto: Divulgação HGRS
    Diretor do HGRS, Antônio Raimundo Pinto de Almeida, em visita a laboratório nos EUA (Foto: Divulgação)

     

    Outro braço do estudo é o “Zika in infants and pregnancy (Zip Study)” – na tradução para o português, “Zika em bebês e gestantes” – que é desenvolvido em conjunto com o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos. No projeto, com duração de dois anos, as grávidas que fazem pré-natal na Mansão do Caminho, instituição mantida pelo médium Divaldo Franco, no bairro de Pau da Lima, em Salvador, diagnosticadas com zika serão acompanhadas como gravidez de alto risco pelo Hospital Roberto Santos e pelas instituições americanas.

    “O acompanhamento da saúde das gestantes é semanal e minucioso, serão 10 mil mulheres recrutadas em outras cidades do Brasil, Colômbia e Costa Rica”, diz Almeida. Entre as vantagens para a Bahia está a capacitação da equipe e o conhecimento de dados produzidos no estudo que serão usados no tratamento da zika congênita, além do acesso a equipamentos de última geração.

    “O Hospital Roberto Santos fechou uma série de parcerias estratégicas para o conhecimento da zika congênita e para o futuro da ciência do estado”, ressalta o diretor da unidade.