Publicado em 27/11/2015 às 17h31.

Andrade Gutierrez reconhecerá suborno na Lava Jato, diz jornal

Segundo reportagem do Jornal Folha de São Paulo, construtora deve reconhecer prática de subornos em contratos e pagar multa de R$ 1 bi

Reuters

A Andrade Gutierrez fechou um pacto com a Procuradoria-Geral da República (PGR) no âmbito da operação Lava Jato e aceitou pagar multa de 1 bilhão de reais em acordos de leniência e delação que cobrem a empresa e seus executivos, afirmou reportagem do jornal Folha de S.Paulo nesta sexta-feira (27).

A construtora, uma das maiores do país, confessará que pagou suborno em contratos e negócios com as estatais Petrobras e Eletrobras e relacionados à Copa do Mundo de 2014, segundo a reportagem que não revelou como obteve a informação.

Uma fonte com conhecimento do assunto afirmou à Reuters que o presidente-executivo da Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo, está negociando um acordo com procuradores federais, mas não disse o que ele poderia revelar em troca de redução de pena.

Azevedo foi preso em junho e acusado de corrupção em julho.

A PGR se recusou a comentar a reportagem do jornal, e a Polícia Federal não respondeu a pedidos de comentário.

Procuradores em Curitiba assinaram acordos de leniência com quatro empresas, sem divulgar seus nomes. A Controladoria-Geral da União (CGU) e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) também negociam esses pactos com empresas.

Um porta-voz da CGU disse que a Andrade Gutierrez é uma das sete empresas de engenharia que negociam acordos de leniência para evitar que, no futuro, sejam impedidas de assinar contratos com o governo, mas que nenhum pacto ainda foi fechado.

A investigação de corrupção no país tem levado à prisão de alguns políticos e empresários influentes ao longo dos últimos dois anos, mas não revelou muitas informações, até agora, sobre os custos elevados dos estádios da Copa do Mundo.

A Andrade Gutierrez, que se recusou a comentar o assunto, construiu a Arena Amazônia, em Manaus, e trabalhou nas reformas de estádios do Rio de Janeiro, Porto Alegre e Brasília.

O custo desses projetos de construção saltou de 2,5 bilhões de reais, com base em estimativas iniciais, para um montante final de 3,4 bilhões de reais, de acordo com o Contas Abertas, grupo que monitora gastos públicos.