Anvisa apura casos de perda de visão com uso de canetas emagrecedoras

    Registros envolvem medicamentos como Ozempic, Mounjaro e Wegovy

    Reprodução/Freepik

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) investiga cerca de 13 notificações de suspeita de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NOIA) em pacientes que utilizavam medicamentos da classe dos análogos de GLP-1, como Mounjaro, Ozempic, Wegovy e Rybelsus.

    A condição é caracterizada pelo bloqueio do fluxo sanguíneo no nervo óptico, o que pode causar a perda irreversível da visão de um dos olhos.

    Os relatos ganharam repercussão após a divulgação de processos judiciais movidos nos Estados Unidos contra a farmacêutica Novo Nordisk. Em paralelo, pesquisas publicadas na revista científica JAMA Ophthalmology identificaram uma incidência superior da condição em pacientes tratados com semaglutida quando comparados aos que usavam outros fármacos.

    Os próprios autores do estudo ressaltam, no entanto, que os dados não estabelecem relação direta de causa e efeito, uma vez que o grupo analisado apresentava condições prévias de risco, como o diabetes.

    Anvisa investiga

    De acordo com a Anvisa, os registros atuais são tratados como eventos suspeitos e permanecem sob acompanhamento, ressaltando que a notificação simultânea da doença e do uso do remédio não confirma nexo causal. Desde junho de 2025, por determinação do órgão regulador brasileiro, a lesão consta na bula das medicações à base de semaglutida como uma reação adversa muito rara.

    Em posicionamento oficial, a Eli Lilly informou que realiza o monitoramento contínuo da segurança de seus produtos. A Novo Nordisk afirmou que as análises dos seus ensaios clínicos não demonstraram aumento na ocorrência da condição e reiterou que o perfil de benefício e risco da substância permanece positivo.