Publicado em 23/06/2026 às 19h17.

Denúncias de violência contra mulheres no ambiente virtual saltam 188% em um ano

Entre os principais delitos mapeados estão práticas de monitoramento e controle, ameaças diretas, humilhações públicas e perseguição digital

Redação
Foto: Gabby Jones/ Bloomberg

 

As denúncias de violência contra mulheres praticadas em ambientes digitais registraram um salto de 188,6% em um ano, de acordo com um relatório oficial divulgado nesta segunda-feira (22) pelo Ministério das Mulheres. O balanço aponta que, no acumulado entre janeiro e maio de 2026, a Central de Atendimento à Mulher — o Ligue 180 — contabilizou 16.725 registros dessa natureza. No mesmo intervalo correspondente de 2025, o serviço havia computado 5.795 ocorrências.

Segundo os dados analíticos apresentados pela pasta federal, as plataformas digitais, o que engloba redes sociais, aplicativos de troca de mensagens instantâneas, salas de jogos online e outros ambientes integrados à internet, vêm sendo instrumentalizadas por agressores para a execução de condutas criminosas.

Entre os principais delitos mapeados estão práticas de monitoramento e controle, ameaças diretas, humilhações públicas, perseguição digital (stalking), extorsão, chantagem e a exposição não consentida de imagens íntimas de meninas e mulheres.

Redução da subnotificação e fortalecimento dos canais de escuta

Para a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, o crescimento expressivo nos indicadores estatísticos não se traduz necessariamente apenas no aumento real dos crimes, mas sinaliza uma retração importante nos índices de subnotificação que historicamente camuflam esse tipo de violência.

“Ter os dados da realidade é muito importante. A gente só vai acertar nas respostas pelos governos, políticas públicas, quando tiver mais realismo nas informações”, ponderou a chefe da pasta.

A gestão do ministério avalia que dois fatores estratégicos foram determinantes para o adensamento dos registros: a consolidação de uma maior credibilidade do Ligue 180 perante a sociedade civil e o aperfeiçoamento contínuo dos protocolos técnicos de acolhimento institucional e suporte jurídico às vítimas nas plataformas de atendimento.

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