Engenheiro argentino é preso suspeito de injúria racial em hotel em MG

    Segundo registro policial, o suspeito chamou uma trabalhadora do local de "macaca" e "negra filha da puta", e outra de "macaca de trança" e "macaca moderna"

    Imagem: Reprodução

    Um engenheiro argentino foi preso em flagrante em Lagoa Santa (MG) sob suspeita de ter cometido crime de injúria racial contra funcionários de um hotel de alto padrão.

    Segundo o registro policial, o suspeito chamou uma trabalhadora do local de “macaca” e “negra filha da puta”, e outra de “macaca de trança” e “macaca moderna”. De acordo com a Secretaria de Justiça e Segurança Pública de Minas (SESP), ele ficou um dia detido no presídio da cidade e conseguiu um alvará de soltura.

    Ao UOL, o suspeito, Jesus Gabriel Marin, de 49 anos, admitiu ter chamado a funcionária de “negra filha da puta”, além de ter pedido a demissão da trabalhadora. Ele frisou, porém, que não usou o termo “macaca” nas ofensas.

    Segundo Marin, a sua reação aconteceu depois de um ataque epiléptico de um dos seus filhos e uma crise de choro da esposa por causa de uma série de problemas relacionados ao atendimento de alguns empregados do hotel.

    De acordo com a Polícia Militar, Marin compareceu à recepção do hotel na tarde do último dia 21 para reclamar que não conseguia entrar no quarto porque a porta estava bloqueada, sendo informado, então, que o motivo do bloqueio era falta de pagamento.

    A reação do engenheiro, segundo testemunhas, foi xingar a funcionária A.F, de 30 anos, por causa da cor da pele dela. “Essa macaca está me tirando do hotel. Quem ela pensa que é?”, disse, segundo o B.O. do caso. Além disso, Marin também teria gritado que não iria pagar “porra nenhuma” e que “iria dar um jeito de vê-la (a funcionária) demitida”.

    No boletim de ocorrência há a informação de que o engenheiro argentino admitiu ter xingado a funcionária de “negra filha da puta” durante a discussão.

    No registro da polícia há três testemunhas que teriam confirmado as ofensas. Outra funcionária do hotel, L.M, 26 anos, contou à PM que, em outro dia, foi chamada de “macaca de trança” e de “macaca moderna” pelo argentino. Marin teria repetido “a todo momento que ela era uma macaca”.

    Com a confusão após o bloqueio da porta do quarto, a polícia foi chamada e prendeu Marin pelo crime de injúria racial, de acordo com a Polícia Civil.

    Engenheiro nega algumas informações do BO

    Segundo Jesus Gabriel Marin, durante a semana em que ficou no hotel, ocorreram vários problemas em relação à estrutura do local e ao atendimento. Ao tentar reclamar dos incidentes, o engenheiro recebeu a informação de que o estabelecimento não tem gerente, o que não se confirmou depois, segundo ele.

    O engenheiro contou ao UOL que a porta do quarto onde se hospedou foi bloqueada em três ocasiões. Ele diz que não se negou a pagar para continuar no hotel. Na terceira vez, porém, admite ter se irritado com a funcionária que deu a notícia do bloqueio ao ver um dos seus filhos com ataque de epilepsia e a esposa numa crise de choro por causa da situação, de acordo com Marin.

    Ele disse que chamou a gerente e uma funcionária do restaurante e usou o termo racista contra a trabalhadora.

    “Agora você pega essa negra filha da puta e manda embora agora. Em vez de chamar uma ambulância [para o filho epiléptico], chamaram a polícia. Aí piorou tudo. Eu não sou de arrumar confusão”. Marin, porém, nega ter chamado qualquer pessoa de “macaca”, contrariando a informação do boletim policial.

    No dia 23, Marin conseguiu um alvará de soltura, segundo a SESP, e responderá em liberdade.

    A gerente do hotel, ao UOL, disse que a orientação da direção é não comentar o caso com ninguém. Segundo uma fonte que não quis se identificar, o estabelecimento “abafou” o ocorrido.