Estudo indica que mulheres serão maioria entre os médicos até 2030

    Presidente da Associação Bahiana de Medicina alerta, no entanto, para o aumento do desemprego na área

    Foto: Reprodução, Gov.br

    Um estudo divulgado pelo Plano Nacional de Fortalecimento das Residências em Saúde, lançado no último dia 15 de julho, revela que as mulheres serão maioria entre os médicos até 2030. Tal fenômeno vem se desenhando desde o ano de 2010, quando as mulheres já representavam mais de 50% do total de profissionais.

    Em contato com o bahia.ba, o Dr. Cesar Amorim, presidente da Associação Bahiana de Medicina (ABM), revelou que o aumento da proporção de mulheres entre os médicos pode ser explicado pelo maior crescimento da população feminina em relação a masculina.

    “O fato das mulheres serem maioria na medicina, como mostrou a pesquisa, eu atribuo isso ao crescimento maior da população feminina em relação a masculina. A gente não tem nenhum dado pra dizer que o crescimento da população feminina na área médica se deva a algum fator específico da profissão. Eu acho que é mais em relação ao crescimento da população feminina”, disse.

    A pesquisa apontou ainda um aumento expressivo de médicos nos próximos nove anos. De 2010 a 2020, o número desses profissionais passou de, aproximadamente, 315 mil para 487 mil e, segundo a análise publicada, deve chegar a 815 mil até 2030.

    “A população médica cresceu pelo número de faculdades de medicina que se multiplicaram no Brasil. Hoje tem mais de 330 faculdades de medicina no país. Há 10 anos atrás não tínhamos a metade disso. Sem dúvida nenhuma o crescimento do número de faculdades fez aumentar o número profissionais formados a cada ano”, afirmou o presidente da ABM.

    Ainda de acordo com o Dr. Cesar, a medicina ainda tem um mercado de trabalho favorável para absorver uma grande quantidade de profissionais, em comparação a outras profissões, mas essa realidade pode mudar nos próximos anos.

    “Quando a gente pensa nesse crescimento a longo prazo, talvez o raciocínio seja outro. Com esse aumento do número de profissionais formados a cada ano, dobra a população de médicos no Brasil. O nosso pensamento de hoje é de que a população médica consegue trabalho, tanto a nível Bahia quanto Brasil, mas a gente não sabe o que vai acontecer daqui a 10 anos. Provavelmente não vai estar mais assim. Agora na pandemia da Covid-19, com a abertura e necessidade de leitos também houve a necessidade de contratar profissionais médicos. Muita gente se formou, não fez nem residência e já foi trabalhar em plantões de Covid. Isso deu emprego pra muita gente, mas em breve isso vai acabar. A Covid vai melhorar com a vacinação e, com isso, haverá a redução do número de empregos. Nós vamos ter daqui a poucos meses vários médicos desempregados”, alertou.

    A pesquisa do Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES), a Universidade de São Paulo (USP) e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), vem mapeando a oferta de médicos no país com o ProvMed 2030. O objetivo é a construção de um modelo para executar projeções sobre a oferta e demanda de profissionais.