Fiscais flagram trabalho escravo em ateliês da Animale

    Em vez de salário, trabalhadores recebiam, em média, R$ 5 para cozer peças que seriam posteriormente comercializadas por até R$ 698 na boutique

    Foto: Divulgação
    Foto: Fernando Martinho/ONG Repórter Brasil
    Foto: Fernando Martinho/ONG Repórter Brasil

     

    Três oficinas de costura que forneciam roupas para as grifes de luxo Animale e A.brand – ambas pertencentes ao grupo Soma – mantinham imigrantes bolivianos em condições de trabalho análogas à escravidão, na região metropolitana de São Paulo.

    Os costureiros cumpriam jornada de mais de 12 horas por dia e residiam no local, em condições degradantes. As informações são de reportagem da ONG Repórter Brasil.

    Em vez de salário, trabalhadores recebiam, em média, R$ 5 para cozer peças que seriam posteriormente comercializadas por até R$ 698 nas boutiques.

    A fiscalização das oficinas ocorreu em setembro deste ano e foi realizada pela equipe da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo, com o auxílio de auditores da Receita Federal. As condições impostas aos alfaiates caracterizam crime, conforme o Código Penal.

    Outro lado – Em nota enviada à imprensa, a A.Brand e a Animale “esclarecem que receberam a visita de Auditores Fiscais do Trabalho, informando que foram encontrados trabalhadores em condições degradantes em três oficinas onde se encontravam produtos das marcas sem o conhecimento das mesmas”.

    “As marcas não compactuam com a utilização de mão de obra irregular em suas cadeias de produção. Todos os seus fornecedores assinam contratos em que se comprometem a cumprir a legislação trabalhista vigente e a não realizar a contratação de trabalhadores nessas condições”, afirma a nota.

    A associação disse que proíbe a subcontratação em contrato e que paga valores “exponencialmente superiores” aos cinco reais por peça aos seus fornecedores diretos. Além disso, garantiu que ofereceu uma ajuda humanitária aos profissionais, o que, segundo o comunicado, “foi imediatamente aceito pelo Ministério do Trabalho”.