Jean Wyllys alerta para riscos da desinformação à democracia: ‘impacto nocivo’

    Ex-deputado defende regulação das plataformas digitais e critica impactos das fake news na sociedade

    Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados

    A participação de Jean Wyllys na Bienal do Livro Bahia 2026, nesta quinta-feira (16), foi marcada por críticas contundentes aos efeitos da desinformação na sociedade. Em entrevista exclusiva ao Bahia.ba o escritor destacou que o avanço das fake news representa uma ameaça direta à democracia e ao pacto social.

    Para Wyllys, o principal risco está na perda de confiança nos fatos. “Eu acho que o maior perigo é relativizar a verdade dos fatos, a verdade factual. E eu acho que quando as pessoas deixam de acreditar na verdade, elas deixam de acreditar no futuro e o pacto social se rompe”, afirmou.

    O ex-deputado citou como exemplo o crescimento de movimentos antivacina, impulsionados por conteúdos falsos disseminados nas redes sociais. Segundo ele, a circulação desse tipo de informação tem consequências concretas, como o retorno de doenças que já estavam controladas.

    “Então, assim, a desinformação não é só um burlo ou um engano nas redes sociais, ela tem realmente um impacto nocivo na sociedade. Saúde pública, no pacto social e na democracia”, disse.

    Wyllys também chamou atenção para o uso de tecnologias cada vez mais sofisticadas na produção de conteúdos enganosos, incluindo perfis falsos criados por inteligência artificial. “A tecnologia está cada vez mais sofisticada e ela tem enganado cada vez mais as pessoas”, pontuou.

    “Regulação não é censura”

    Durante a conversa, o escritor também abordou o debate sobre os limites entre liberdade de expressão e regulação das plataformas digitais. “Eu acho que a regulação é sempre bem-vinda e a regulação não é censura”, afirmou.

    Para ilustrar, Wyllys comparou o cenário atual das redes sociais com a regulamentação da indústria do tabaco, que passou por restrições ao longo dos anos para reduzir danos à saúde pública, sem que o consumo fosse proibido.

    “O mesmo vai acontecer com as big techs. Regulamentar a big tech não é censura, é simplesmente impedir que conteúdos de pornografia infantil sejam produzidos, que fotos de crianças sejam comercializadas”, explicou.

    Segundo ele, a ausência de regras claras favorece práticas nocivas, como a exposição precoce de crianças às redes sociais e o avanço de crimes digitais. “O direito à liberdade de expressão tem que vir com o dever de justiça e responsabilidade”, disse.

    Participação na Bienal

    A fala integrou a mesa “Sobrevivendo na era das fakenews”, realizada no espaço Café Literário, que contou ainda com a presença de Midiã Noelle e Emiliano José, sob mediação de Tarsilla Alvarindo. Após o debate, Wyllys participou de uma sessão de autógrafos e lançou obras recentes no evento.

    A Bienal do Livro Bahia 2026 acontece entre os dias 15 e 21 de abril, no Centro de Convenções de Salvador, com expectativa de reunir mais de 120 mil visitantes.