O historiador José Murilo de Carvalho morreu na madrugada deste domingo (13) aos 83 anos. O enterro ocorreu às 13h, no Mausoléu da ABL no Cemitério São João Batista. José Murilo era mineiro, bacharel em sociologia e política pela UFMG, mestre em ciência política pela Universidade de Stanford, na Califórnia, onde defendeu tese sobre o Império Brasileiro.
Foi professor e pesquisador visitante nas universidades de Oxford, Leiden, Stanford, Irvine, Londres, Notre Dame, no Instituto de Estudos Avançados de Princeton, e na Fundação Ortega y Gasset em Madrid.
Lecionou também na UFRJ e foi pesquisador emérito do CNPq. Eleito para a ABL em 2004, ocupava a cadeira nº 5. Escreveu 19 livros, entre eles “A Formação das Almas”, “A Cidadania no Brasil”, e “Os Bestializados”. Fazia parte também da Academia Brasileira de Ciências.
Em 2019 Carvalho relançou o livro “Forças Armadas e Política no Brasil”, que tinha sido publicado originalmente em 2005.
A obra ganhou uma nova edição em 2019 com textos inéditos sobre a relação entre militares e civis e alcança os primeiros meses do governo Bolsonaro.
O historiador mostra, por exemplo, que a preocupação de militares com supostas ameaças comunistas tem se consolidado há mais de 90 anos no Brasil. O ódio do ex-presidente e de seus ministros oriundos das Forças Armadas ao comunismo —ou ao que eles entendem como tal— é um sentimento amplamente cultivado nos quartéis.
Em entrevista à Folha sobre os 130 anos da proclamação da República, em 2019, Carvalho afirmou que o pecado original da República foi não ter incluído o povo. “A República extinguiu o privilégio dos Braganças, mas não conseguiu eliminar os privilégios sociais”, disse.
“Para os propagandistas, República e democracia eram indissociáveis. Mas a democracia, isto é, a participação popular no sistema representativo, ficou ausente até a década de 1940”, afirmou.
Na ocasião, o historiador refletiu sobre o caráter autoritário e pouco inclusivo do início do período republicano no Brasil e afirmou que, 130 anos depois, nossa república continuava “sujeita à interferência ‘moderadora’ das Forças Armadas”

