Mirtes Renata Santana, mãe do menino Miguel Otávio Santana da Silva, que morreu aos 5 anos em junho de 2020 ao cair do 9º andar de um prédio no Centro do Recife, participou no último sábado (29) da cerimônia de formatura no curso de direito. O evento ocorreu em uma casa de festas na capital pernambucana.
A nova bacharela entrou no salão carregando uma foto do filho e, no telão do evento, foram exibidas imagens de Miguel, em substituição às fotos da formanda. A homenagem foi acompanhada pela música “Maria, Maria”, de Milton Nascimento e Fernando Brant. Mirtes estava acompanhada da mãe, Marta, da irmã, Fabiana Patrícia, e de duas amigas.
Em entrevista à TV Globo, Mirtes afirmou que a decisão de homenagear o filho foi tomada antes da festa. “Antes mesmo da formatura, eu já vinha bem sentida, já imaginando esse momento, porque era um momento que eu sonhava para o meu filho, de ser o baile de formatura dele, de descer com ele pelas escadas. Então, no momento, eu decidi: ‘meu filho vai estar comigo’. Então, levei a foto. E no telão, era para ser minha foto, mas eu pedi que não, que fosse do meu filho”, disse.
Ela concluiu a graduação no dia 10 de junho, após obter nota máxima no Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com monografia sobre escravidão contemporânea. Atualmente, Mirtes trabalha como assessora parlamentar na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe).
Mirtes afirmou que o filho foi a principal motivação para cursar direito e compreender os trâmites processuais do caso. “Foi uma caminhada muito difícil, marcada por muita dor, por muitos desafios. Muitas vezes eu pensei que não iria conseguir chegar até essa data, mas Miguel sempre foi o propósito dessa caminhada, o propósito de eu continuar”, declarou.
Ela também disse que a formatura representa a realização de um sonho que tinha para o filho. “Não era para ser eu ali descendo as escadas. E poderia até ser eu, mas, ao lado do meu filho, eu, minha mãe e meu filho, celebrando o momento da conclusão do curso do meu filho. Por isso, eu escolhi o nome de Miguel Otávio. Porque eu tinha um sonho para ele: de ser um médico, um advogado. Para ser chamado de Dr. Miguel Otávio”, contou.
Relembre o caso
O menino Miguel Otávio Santana da Silva, de 5 anos, morreu após cair do 9º andar de um prédio de luxo no Centro do Recife.

No momento do acidente, ele tinha sido deixado pela mãe (que era doméstica e estava na parte de baixo do prédio passeado com o cachorro dos patrões) aos cuidados da patroa dela, a ex-primeira-dama de Tamandaré, Sari Corte Real.
A patroa foi presa em flagrante por homicídio culposo, quando não há intenção de matar, e solta após pagar fiança de R$ 20 mil.
O caso completou seis anos em junho. Em maio de 2026, o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJ-PE) negou recurso da defesa de Sari Corte Real, ex-patroa de Mirtes, e manteve a condenação a 7 anos de prisão por abandono de incapaz com resultado morte. Sari responde ao processo em liberdade, que tramita há mais de seis anos.

