MEC contrata empresa acusada de corrupção para fornecimento de kits escolares

    Os kits serão fornecidos pela Brink Mobil, empresa que tem histórico de suspeitas de irregularidades no fornecimento de material escolar a prefeituras e governos estaduais

    Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

    O Ministério da Educação contratou uma empresa envolvida em um esquema de corrupção para o fornecimento dos kits escolares aos estudantes. Segundo a Polícia Federal, a empresa está envolvida em um esquema que desviou R$ 134,2 milhões de dinheiro público da saúde e da educação na Paraíba.

    Mesmo após serem informados sobre a investigação contra a empresa, os representantes do Fundo Nacional de Desenvolvimento da educação (FNDE), órgão vinculado ao ministério e responsáveis pela contratação, resolveram manter o negócio.

    O kits são fornecidos pela Brink Mobil, empresa que tem um histórico de suspeitas de irregularidades no fornecimento de material escolar a prefeituras e governos estaduais. No mês de dezembro de 2018, a empresa foi denunciada no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) por formação de cartel em licitações públicas. Ela foi acusada de fraudas licitações para a compra de uniformes, mochilas e materiais escolares em quatro Estados entre os anos de 2007 e 2012.

    O ministro da educação, Abraham Weitraub, fez uma série de vídeos sobre os kits escolares vendidos pela Brink nesta semana. Nas imagens divulgadas, o ministro pede que seus seguidores pressionem prefeitos a buscarem ajuda de deputados federais a fim de conseguir mais recursos para comprar o produto em seu município.

    O contrato com a Brink, que pode chegar a R$ 406 milhões, foi assinado em novembro de 2019, quando a Operação Calvário, da PF, já estava em curso. A empresa é acusada de pagar ao menos R$ 1,8 milhão em propina para obter contratos no governo de Ricardo Coutinho (PSB), na Paraíba.

    Segundo o jornal Estadão, o então presidente do FNDE, Rodrigo Sérgio Dias, foi informado sobre as investigações envolvendo a empresa. na ocasião, Dias chegou a procurar o Cade para saber se haveria algum impedimento legal em contratar a empresa. Em resposta, o conselho disse não te competência para informar sobre eventuais restrições, mas deu detalhes do processo em curso no órgão.