Publicado em 16/10/2018 às 13h40.

Militares estupraram adolescentes em intervenção no Rio, diz relatório

Moradores relataram diversos abusos praticados, como invasão de casas, agressões e xingamentos durante as abordagens

Redação
Foto: Reprodução/Twitter
Foto: Reprodução/Twitter

 

Um relatório elaborado pela Ouvidoria Externa da Defensoria Pública do Rio de Janeiro revelou que militares estupraram adolescentes durante a intervenção militar nas favelas cariocas, assinada por Michel Temer (MDB) em fevereiro. Moradores relataram uma série de abusos que incluem invasões a casas, agressões e xingamentos em abordagens, de acordo com matéria do El País.

Os números integram o relatório – ainda parcial – do Circuito Favelas por Direito. Pesquisadores visitaram 15 comunidades do Rio e identificaram 30 tipos diferentes de abusos, dividas em cinco pontos: violação em domicílio, abordagem, letalidade provocada pelo Estado, operação policial e impactos.

O levantamento considera os cinco meses de intervenção federal na segurança pública do Estado. Em uma das invasões, teriam ocorrido estupros de duas adolescentes:

“Eles entraram numa casa que era ocupada pelo tráfico. Lá tinha dois garotos e três meninas. As meninas eram namoradas de traficantes. Era pra ser todo mundo preso, mas o que aconteceu é que os policiais ficaram horas na casa, estupraram as três meninas e espancaram os garotos. Isso não pode estar certo”, conta um morador.

Uma outra adolescente relatou abuso sofrido durante abordagem, por policias homens, o que é proibido pelo artigo 249 do Código Penal.

“Ele vem revistar a gente, já gritando, chamando a gente de piranha, mulher de bandido, drogada. Vem empurrando e mexendo na gente. Eu sei que só mulher que pode revistar mulher, mas se nós não deixar [sic] leva tapa na cara”, relembra a jovem.

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