‘Não tem como eliminar a dengue que existe há 40 anos’, diz ministra da Saúde

    Nísia Trindade argumentou que o pacote de medidas do governo virá com o foco tanto no controle do vetor, o mosquito Aedes aegypti

    Foto: Fábio Pozzebom/Agência Brasil

    A ministra da Saúde, Nísia Trindade, descartou a possibilidade de extinção da dengue. Segundo ela, o plano nacional contra a dengue — em vias de finalização no governo— tem como objetivo reduzir o impacto da doença, mas não eliminá-la.

    “Nós sabemos que não há condições de eliminar a dengue. Ela aparece há 40 anos, alguns anos mais forte, outros menos, e agora ampliou muito a escala”, disse a ministra, nesta segunda-feira (2) em reunião do GT (Grupo de Trabalho) Saúde do G20, evento que reúne, até amanhã, em Natal (RN), representantes das 19 maiores economias do mundo além da União Europeia e da União Africana.

    A ministra argumentou que o pacote de medidas do governo virá com o foco tanto no controle do vetor, o mosquito Aedes aegypti, quanto no “esforço para reduzir o número de casos”. O lançamento está previsto para a primeira quinzena deste mês.

    Ações de médio e longo prazo estão programadas. Uma delas, já antecipada pela Folha, é a estratégia da Wolbachia, um gênero de bactéria que é geneticamente modificada e inoculada no Aedes para impedir novas gerações do mosquito de transmitir a dengue.

    “Nós vimos no ano passado um aumento exponencial de casos, que tem a ver com questões de cuidados, de urbanização e de mudanças climáticas muito fortemente. Então, sim, a dengue é uma preocupação e um grande desafio, mas nós estabelecemos responsabilidades do governo federal, dos estados, dos municípios e estaremos preparados para um melhor enfrentamento”, disse a ministra. A expectativa é que um acordo na área seja assinado em reunião ministerial, no fim de outubro.