Presidente da Fundação Palmares provoca movimentos negros e celebra princesa Isabel

    Grupos criticam interpretação da Lei Áurea como libertadora e abandonaram a data em favor do Dia da Consciência Negra

    Foto: Reprodução/Facebook

    Escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para liderar a Fundação Palmares, Sérgio Camargo continua provocando movimentos negros do Brasil.

    Nesta quarta-feira, 13 de maio, ele decidiu homenagear a princesa Isabel no site da instituição para “revelar a verdade” sobre Zumbi dos Palmares.

    A data marca a abolição da escravatura, ocorrida em 13 de maio de 1888. Dia não comemorado pelos movimentos negros, que exaltam em contraste o 20 de novembro, data da morte de Zumbi e Dia da Consciência Negra.

    Prometendo divulgar ainda nesta quarta tais verdades sobre Zumbi, Camargo chamou o último dos líderes do Quilombo dos Palmares – o maior dos quilombos do período colonial – de “falso herói” em outras ocasiões.

    Ele também já havia exaltado a princesa Isabel. A comemoração do 13 de maio é criticada por não ter implicado em libertação de fato da população negra, que não teve oportunidades de inserção social na sequência da abolição.

    “O 13 de maio como dia da libertação é uma mentira cívica, como dizia Abdias do Nascimento, e conta com o cinismo escravocrata que é a marca da elite brasileira. O movimento negro desconstrói essas ideias do dia da libertação e da princesa Isabel como libertadora e redentora. Não ignoramos o 13 de maio. Nós o reivindicamos como um dia para refletirmos sobre a mentira construída, sobre a abolição inacabada. A população negra continua estruturalmente no mesmo lugar em que estava no dia seguinte à abolição”, afirma Douglas Belchior, historiador e membro da Uneafro Brasil. Informações da coluna Painel, da Folha de S.Paulo.